quarta-feira, 21 de abril de 2010
5º Encontro de Música e Mídia: E(s)téticas do som Apresentação
E(ST)ÉTICAS DO SOM
APRESENTAÇÃO GERAL
O 5º Encontro de Música e Mídia é uma iniciativa do Centro de Estudos em Música e Mídia – MusiMid, que reúne pesquisadores e profissionais do meio acadêmico, de formação multidisciplinar, que têm como centro de interesse comum o estudo das múltiplas relações entre música e suas formas de comunicação e recepção.
Visando ampliar os debates e estendê-los à comunidade interessada no tema, o MusiMid vem realizando os Encontros de Música e Mídia: As múltiplas vozes da cidade (2005); Verbalidades, musicalidades: temas, tramas e trânsitos (2006), As imagens da música (2007), O Brasil dos Gilbertos: Gilberto Freyre, João Gilberto, Gilberto Gil e Gilberto Mendes (2008).
Em sua quinta edição, o Encontro tem como tema “E(st)éticas do som”, dividido em quatro subtemas: 1) Som, culturas e comunicação; 2) Som, tecnologias e eletroacústica; 3) Som, discursos e mídia; 4) Música e relações de poder. O evento, científico e artístico, reúne pesquisadores, músicos (compositores, instrumentistas, cantores) e demais estudiosos das áreas que tangenciam a linguagem musical.
O objetivo do evento centra-se, prioritariamente, na promoção de debates nas áreas afins à “semiótica da música midiática”, campo de estudo ainda recente, campo teórico que se encontra, ainda, em construção. Além do intercâmbio científico, almeja-se produzir e organizar documentação a respeito dos conteúdos debatidos no evento (audiovisuais, depoimentos, debates, apresentações musicais). Com os textos publicados em anais e outras atividades registradas em áudio e vídeo (a exemplo das edições anteriores), espera-se estar-se contribuindo para os estudos sobre os temas tratados.
SOBRE O CENTRO DE ESTUDOS EM MÚSICA E MÍDIA - MUSIMID
O MusiMid teve sua origem em 2001, durante o XIII Encontro Nacional da Anppom (Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Música), em Belo Horizonte, quando se reuniu, pela primeira vez, o GT Música e Mídia. A partir de 2003, o grupo se constituiu formalmente e, além de atividades internas, promoveu diversas palestras e encontros. Acreditando que o fruto das reflexões e debates devem ser compartilhados com a comunidade científica e demais interessados no assunto publicou, em junho de 2007, com apoio financeiro da FAPESP, a primeira obra coletiva, assinada por participantes do Grupo e convidados do Conselho Consultivo: “Música e Mídia: novas abordagens sobre a canção” (Via Lettera/ Fapesp), organizado por Heloísa de A. Duarte Valente.
Contemplado com financiamentos do CNPq (Edital Universal) e da FAPESP (Jovem Pesquisador), uma significativa parte do Grupo vem se dedicando ao projeto A canção das mídias: memória e nomadismo, com a colaboração de especialistas de renome internacional. No ano de 2008, alguns resultados do projeto levados à comunidade científica foram o lançamento do livro Canção d’Além-Mar: o fado e a cidade de Santos (Editora Realejo/ CNPq) e Canção d’Além-Mar: o fado na cidade de Santos, pela voz de seus protagonistas (CNPq; FAPESP).
Atualmente vinculado ao Departamento de Música da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), o MusiMid mantém diálogo permanente com outros centros de pesquisa voltados às áreas de Comunicação (CISC, Intercom, Alaic), Semiótica (ABS, IASS, CEO) e Música (Anppom, Abet, ICMS, IASPM), no Brasil e no exterior.
Os temas estudados no âmbito do Centro são: performance: o corpo do músico e suas diversas mediações, ao longo da história. O papel da tecnologia nos processos da comunicação poética; a concepção de instrumento musical e sua interpolação com as diversas mídias sonoras existentes ou obsoletas (microfone, amplificação, alta-fidelidade); as variações dos padrões de escuta e dos padrões de gosto, propiciados pela introdução das diferentes mídias sonoras (os diferentes estágios da evolução tecnológica); paisagem sonora: a transformação sofrida pelo meio ambiente acústico, em determinado contexto sócio-histórico-cultural e suas conseqüências no que toca à formação de novos padrões estéticos; as múltiplas interfaces da linguagem musical com outras linguagens artísticas e outras mídias; a música na mídia como elemento de memória cultural e musical; os cruzamentos possíveis de gêneros (fusão, cross over, hibridismo, mestiçagem entre outros); as relações entre criação artística, público, políticas culturais e criação de padrões estéticos; a canção das mídias ante o mundo contemporâneo (globalizado): questões de identidade e vínculo afetivo; a constituição de valores estáveis na era do efêmero; a música e seu papel crucial como elemento privilegiado da mega-indústria do entretenimento.
COMITÊ CIENTÍFICO
Coordenação geral
Profª. Dra. Heloísa de Araújo Duarte Valente
Prof. Dr. Paulo Chagas
Organização
Prof. Dr. Eduardo Vicente
Profª. Dra. Heloísa de Araújo Duarte Valente
Prof. Ms. Ricardo Santhiago
Comitê de leitura
Prof. Dr. Eduardo Vicente
Profª. Dra. Heloísa de Araújo Duarte Valente
Prof. Ms. Ricardo Santhiago
Profª. Dra. Simone Luci Pereira
Profa. Dra Teresinha Prada
E(ST)ÉTICAS DO SOM: O TEMA
O ano de 2009 coincide com algumas efemérides que, acreditamos, podem servir de motivação para as discussões a polarizadas no 5º Encontro: o cinqüentenário da morte de Heitor Villa-Lobos e o centenário de nascimento de Carmen Miranda, pilares na formação da música brasileira (e mundial), do século XX. Não obstante as grandes diferenças que os afastam, traços em comum entre ambos conduzem a convergências interessantes. Considerar-se que, por diferentes vieses, ambos construíram a representação do Brasil no país e do país, no exterior – fato que perdura até os dias atuais- já se anuncia como um instigante ponto de partida. Assim, ambas as figuras – tanto do compositor, músico e regente, quanto da cantora- servem de baliza para questões amplas e variadas como:
As dicotomias estéticas estabelecidas colocam em extremos polares os repertórios, divididos em: nacional/popular; popular/erudito; popular/folclórico; massivo/ culto; nacional/internacional, sério/ ligeiro. O mundo globalizado não comporta uma limitação a tais categorias, inadequadas para criação e análise de signos culturais e artísticos. Tampouco as linguagens artísticas podem ser pensadas através dessas referências.
Questionamentos de cunho político-ideológico, tais como: até que ponto o estado deve interferir na produção cultura e vice-versa? Quais os limites da tutela governamental na produção artística? É possível, no século XXI falar-se em mecenato, apadrinhamento, quando a hegemonia dos estados nacionais deixou de ser uma realidade? Nesta mesma época em que se discutem profundamente os meios de incentivo à cultura e a proteção do patrimônio imaterial, esbarra-se em severas dificuldades no que tange à definição de leis de incentivo à cultura e sua aplicabilidade.
O poder e a função da mídia na difusão de repertório e ensino da música e suas interfaces. O papel de programas de ensino e cultura: do Canto Orfeônico ao Projeto Guri . O embate entre cultura do entretenimento, assistencialismo social e educação.
Repertório, tecnologia e difusão: a música que se fixou no repertório é produto não apenas de políticas e entendimentos estéticos, dentre outros mas também resultado da evolução tecnológica e de opções de cunho estético. Ocorre que há alguns anos as multinacionais do som e da música estão em severa crise financeira em virtude do esgotamento do seu sistema.
A derrocada do estado do bem-estar social e a telemática trouxe novos hábitos cotidianos e, com isso, novas formas de relações sociais: as mudanças de papéis, nas relações de trabalho, na organização das formas de lazer e da vida cotidiana, nas relações interpessoais.
Os modos de vida do terceiro milênio determinam distintas formas de utilização do tempo livre (lazer). Os espetáculos musicais retiveram modalidades tradicionais (ópera, concerto sinfônico), mas também introduziram novidades (notem-se os espetáculos interativos pela internet e televisão, por exemplo).
POSTAS ESTAS PROVOCAÇÕES PRELIMINARES, O EVENTO SERÁ CONSTITUÍDO DE MESAS REDONDAS, SESSÕES DE COMUNICAÇÕES, APRESENTAÇÕES MUSICAIS E OFICINAS, POLARIZADAS PELOS REFERENCIAIS QUE SEGUEM ABAIXO QUE, ACREDITAMOS, CONSTITUEM O SUBSTRATO DAS QUESTÕES QUE ACABAMOS DE MENCIONAR.
EIXOS TEMÁTICOS
I - SOM, CULTURAS E COMUNICAÇÃO
Como o som se faz música e esta faz interagir performance e composição. Da percepção diferenciada chega-se a uma nova recepção. As linguagens e formas de expressão consideradas tradicionais (de longa duração, estáveis, entenda-se): O teatro, o ‘show’ de variedades, cabaré e ‘music hall’, cinema, telenovela, mega-shows, competições. O mainstream (pop,axé), o exótico (world music), As paisagens sonoro-culturais, compostas pela música.
II - TECNOLOGIA, PERCEPÇÃO, ESTÉTICAS DO SOM
A compreensão dos novos modos de criação, distribuição e escuta musical da sociedade digital. As múltiplas interações do som electroacústico na paisagem sonora contemporânea.. Música eletrônica, raves, musica eletroacústica, desenho sonoro, vídeo games, a conectividade musical da internet o som dos telefones celulares, ringtones, os campos híbridos de criatividade musical e sonora queantecipam novas tendências da sociedade.
III - SOM, DISCURSOS E MÍDIA
O “ruído sagrado” (Schafer).Como, através do som e da música, se detém, perde, repassa, multiplica o poder político e de policia: crítica, mídia, gravadoras, difusão (pensar na globalização), gêneros representativos O som ininterrupto e o seqüestro do silêncio e a formação da ansiedade participativa, através do ruído .
IV - MÚSICA E RELAÇÕES DE PODER
A importância de se revisar a história, a teoria e análise musical a fim de se incorporar a subjetividade das relações entre música, poder e violência. A política econômica da música reflete sobre a subjetividade do poder e a “imperfeição material e social do mundo que habitamos”, Susan McClary). A criatividade musical como um paradigma dos processos sociais.
4º Encontro de Música e Mídia: O Brasil dos Gilbertos (2009) Programa
“O Brasil dos Gilbertos: Gilberto Freyre, João Gilberto, Gilberto Gil e Gilberto Mendes”
Quarta-feira, 17 de setembro
9h00-19h00: Credenciamento
10h- 12h
Walter Garcia:
João Gilberto, o projeto utópico e a melancolia da bossa nova
(Ou: um baiano de Juazeiro na zona sul carioca, entre “Chega de saudade” e “Por que tudo é tão triste?”)
José Geraldo Vinci de Moraes
Gilberto Freyre e a música em “Sobrados e Mocambos”
Comentadores José Roberto Zan e Herom Vargas
14h-15h40
Sessão temática 1
Gilberto Mendes
Mediador: Marcos Júlio Sergl
Uma aproximação biográfica do universo poético-musical de Gilberto Mendes
Carla Delgado de Souza
Música eletroacústica no Brasil e o pioneirismo de Gilberto Mendes
Antenor Ferreira Corrêa
O meu amigo Koellreutter de Gilberto Mendes
Maria Yuka de Almeida Prado (Departamento de Música de Ribeirão Preto da ECA-USP)
Um percurso pela paisagem sonora de Gilberto Mendes
Marcos Júlio Sergl
Ouvinte privilegiada: Silvia Berg
15h40-16h Intervalo
16 h 17h20
Sessão temática 2
Gilberto Mendes projetos IC
Moderadora: Marília Laboissière
Cinemeiro ou Cineasta dos Sons? o cinema e a obra de Gilberto Mendes
Plínio B. Barros
Da tragédia ao Tango: análise da construção e das relações intersemióticas n'O Último tango em Vila Parisi, de Gilberto Mendes
Filipe da S. Alberti
Ouvinte privilegiado: Amílcar Zani
17h30- 18h:Intervalo
18h00-19h30
Gilberto Mendes
Impressões sobre os trabalhos apresentados.
Ser Gilberto Mendes- proposições e provocações, por seus (ex-) alunos
Comentador: Edelton Gloeden e Amílcar Zani
19h30-21h:
Edelton Gloeden e Luciano Cesar Morais:
Intertextualidades na obra de Gilberto Mendes – As possibilidades de releituras em um compositor contemporâneo.
Audição e comentários de três obras de Gilberto Mendes:
Peças para piano ns. 4 e 10
- Prelúdio e Casi Passacaglia
Simei Paes e Cecília Adamovich
Lagoa
Peixes de prata
Beatriz Alessio
A técnica composicional de Gilberto Mendes
Estudo sobre "O Pente de Istambul"
Estudo de Síntese
Estudo Magno
Quinta-feira, 18 de setembro
10h00 – 12h00
Paulo Chagas
Gilberto e Willy: ética e estética
Anselmo Guerra
Mutationem III de Claudio Santoro:uma tradução do analógico para o digital a partir da escrita
Comentadores João Marcos Coelho, Carlos Zeron e Fernando Iazzetta
12h-13h30 Intervalo Antonio Eduardo
Bossa 50 Nova
13h30-14-.50 Sessão temática 3: Gilberto Freyre:
Mediador: Mônica Rebecca F. Nunes
A divulgação de músicas regionais pelo programa de TV Frutos da Terra e a caracterização de uma identidade.
Martha Antonia dos Santos Reis
Deixa falar: Sambas e sambistas nos primórdios da música popular brasileira.
Carlos Eduardo Amaral de Paiva
Samba e nação: Música popular e debate intelectual na década de 1940
Eduardo Vicente
OUVINTE PRIVILEGIADO: Diósnio Machado Neto
15h00-15h20 intervalo
15.20- 16.40 Sessão temática 4
Gilberto Gil
Mediador: Ricardo Santhiago
“A gente ta aí, a gente não tem vergonha de nada, a gente é isso...” O doce bárbaro Gilberto Gil e os episódios de 1976.
Vicente Saul Moreira dos Santos
Raul Seixas, entre a legitimidade e ilegitimidade das artes musicais no Brasil.
Lucas Marcelo Tomaz de Souza
Gilberto Gil e a diáspora africana
Nancy Alves
Ouvinte privilegiado: José Roberto Zan
16h40- 17h Intervalo
17h00-18h30:
José Miguel Wisnik
Considerações sobre 4 Gilbertos: uma proposta aparentemente despropositada
Jerusa Pires Ferreira (filme):
A viagem de Ulisses
Rodolfo Coelho de Souza
Comentadoras: Heloísa Valente e Susana Ventura
18h30 : lançamento de livros, discos, filmes
Sexta-feira, 19 de setembro
10h00 às 12h00
Sessão temática 3
Gilberto Freyre
Mediadora: Susana Ventura
Vitória: da ilha à nuvem
Mónica Vermes
Discursos Identitários em Torno da Música Popular Brasileira
Michel Nicolau Netto
“Eu canto pra falar do Amazonas”: Um estudo da produção de MPA em Manaus.
Mauro Augusto Dourado Menezes
Prof. Dr. Sérgio Ivan Gil Braga
As identidades Gilberto e a identidade nacional
Paulo de Tarso Salles
Ouvinte privilegiado: Eduardo Vicente
12h00 -13h30 Intervalo :
Cibele Palopoli e Giovanni Matarazzo(flauta e violão)
João Gilberto:
Ho Ba La La
Bim Bom
Gilberto Gil:
A Paz
Drão
Se eu quiser
Gilberto Mendes:
Sinuosamente: Veredas
13h30- 14h50 Sessão temática 6
João Gilberto
Mediadora: Simone Pereira
O Campo da MPB como "braço artístico" da Modernização Conservadora Brasileira
– ou alguns porquês da "Contradição sem Conflitos de João Gilberto" e seus pares
Daniela Ribas Ghezzi
João Gilberto e a retomada do samba em via dupla
Liliana Harb Bollos
Bossa Nova: de canção a trilha
Carmen Lucia José
Elisabete Alfeld Rodrigues
De “João Gilberto de saias” a “diva predestinada”: Versões sobre Rosa Passos
Ricardo Santhiago (Universidade de São Paulo)
Ouvinte privilegiado: Paulo de Tarso
15h- 16h Sessão temática 7
MusiMid :Projetos em desenvolvimento
Heloísa Valente
16h-16h15 Intervalo
16h15- 17h15 Canção d’Além-Mar: o fado na cidade de Santos, pela voz de Manoel Ramos e Lídia Miguez
(‘trailer’ do programa de rádio)
Direção: Marta Fonterrada
Canção d’Além-Mar: o fado na cidade de Santos, pela voz de seus protagonistas.
(documentário)
direção: Eduardo Teixeira
1h15-18h
apresentação de fados
Grupo Sete Cidades e convidados
Fados
Alexandre Matis, Gabriel Henrique Laudino, Marcos Santos, Tatiana Monteiro
Acordem as guitarras (Frederico de Brito)
Alfama (José Carlos Ary dos Santos/ Alain Oulman)
Meu amor é marinheiro (Manuel Alegre e Alain Oulman)
Barco Fantasma (Ivan Lins e Vítor Martins)
Lar d’Além-Mar (Gil Nuno Vaz e José Vaz Pereira da Silva)
Sonho de emigrante (Manoel Ramos e Lídia Miguez)
Tudo isto é fado (Aníbal Nazaré/ Fernando Carvalho)
18h Encerramento
Heloísa Valente, Susana Ventura, Ricardo Santhiago
3º Encontro de Música e Mídia: As imagens da música (2007) Programa
As imagens da música
19 de setembro:
13-14h: inscrição e recebimento de material
14-15h45: mesa temática 1
16-17h45: mesa temática 2
18-19h: painel
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19h30- 21h30:
grupo Paralax.
Direção artística: Denise Garcia
Conferência, a cargo do Mº Júlio Medaglia:
"As imagens da música"
20 de setembro:
14-15h45: mesa temática 3
16-17h45: mesa temática 4
18-19h: painel
projeto MusiMid: O fado na cidade de Santos: sua gente, seus lugares...
Lançamento da página do MusiMid
Lançamento do livro Música e Mídia: novas abordagens sobre a canção
19h30-21h30:
conferência, a cargo do músico Thomas Roth
"As imagens da música"
21 de setembro:
14-15h45: mesa temática 5
16-17h45: mesa temática 6
18-19h: painel: Da vaia ao não, os sons do concretismo
Ademir Demarchi e Marcelo Luiz Chagas fazem uma reflexão sobre os 50 anos do Concretismo
19h30-21h30: Leitura performática
pelos poetas Ademir Demarchi, Flávio Viegas Amoreira, Marcelo Ariel, Paulo de Toledo e convidados
2º Encontro de Música e Mídia (2006)
2º Encontro de Música
e Mídia:
Resumos das sessões
temáticas.
Trabalhismo, música e mídia sob o
governo Vargas
Adalberto Paranhos
akparanhos@triang.com.br]
Resumo: Jornalistas, historiadores e
cientistas sociais costumeiramente se dão as mãos quando se trata de pôr em
destaque os superpoderes ostentados pela ditadura estado-novista em relação ao
controle da produção musical e ao estímulo ao enaltecimento do trabalho. Seus
estudos tendem a cristalizar uma visão unívoca, que originou ou reforçou muitos
mal-entendidos que cercam o assunto. E, à medida que contribuíram para
superestimar o poder estatal, acabaram por reproduzir, consciente ou
inconscientemente – mesmo que por vias oblíquas –, o próprio discurso oficial
da ideologia do trabalhismo a respeito do caráter uno do Estado, que teria
logrado alcançar um grau de plena identificação entre ele e a nação, ao agir
como o tradutor de seus anseios mais profundos. Com muita freqüência,
sustentou-se que o DIP (Departamento de Imprensa e Propaganda) exerceu um
controle absoluto sobre tudo o que se relacionava à música popular. Esta
comunicação se lança na contracorrente dessas análises. Procura enfatizar que
hegemonia não se confunde, de forma alguma, com dominação ou imposição
absoluta, muito menos com uniformização. E, ao romper com a visão tradicional
sobre os caminhos percorridos pelo samba produzido nessa época, recolhe
evidências de que a ditadura estado-novista nem de longe foi inteiramente
bem-sucedida em seu esforço para entronizar uma espécie de “samba de uma nota
só”, voltado para a exaltação do regime e do trabalho. Pelo contrário, outras
notas, outras dicções, outras pronúncias se fizeram ouvir no campo do samba,
dando voz ao coro dos diferentes, por mais que o regime investisse na constituição do coro da
unanimidade nacional.
Os becos da poesia.
Ademir Demarchi
Revista Babel (editor)
Resumo: A poesia no século passado era publicada
em jornais, revistas e livros e, em alguns casos, ganhava também gravação na
própria voz do poeta ou de algum ator famoso, sendo veiculada em discos de
vinil. Desde então muito tem mudado, pois a revolução da informática e dos
equipamentos digitais tem possibilitado novos meios, barateado custos de
equipamentos e permitido a sua manipulação pelos próprios poetas.
Contemporaneamente a poesia deixou de circular em jornais, vive altos e baixos
em revistas impressas sazonais publicadas por poetas e encontrou um campo amplo
na internet, onde assiste-se a experimentações de publicação em blogues, sites
e revistas eletrônicas, apresentando também outra mudança interessante que é a
do crescimento da gravação de CDs pelos próprios poetas e sua apresentação em
espetáculos multimídia”.
Poema -em -música
Annita Costa Malufe
Doutoranda em
annita.costa@terra.com.br]
Resumo: O presente texto é uma
breve apresentação da performance intitulada "poema-em-música". O
artigo busca esboçar alguns pressupostos teóricos, poéticos e composicionais
que norteiam a concepção do projeto, realizado em parceria com o compositor
Silvio Ferraz desde 2004. O “poema-em-música” é uma performance de poemas lidos
(voz) com transformação eletrônica em tempo real (live eletronics) em que dois
campos artísticos, a poesia e a música, se articulam, buscando criar um
terceiro lugar comum.
O
canto e as letras: educação e música sob o compasso dos mestres-de-capela no
Brasil colonial
Diósnio Machado
Neto
ECA-USP
Resumo:
O
binômio “letra e música” como veículo de diálogo com a constituição do saber é
um conceito desenvolvido desde tempos imemoriais. Tanto na concepção do termo
grego mousike, como na sua própria
mitologia ou nos relatos bíblicos, músico e literato se confundiam no exercício
da dramatização da vida e entendimento bipolar que não dissociava razão de
sentimento. Nesse sentido, o mestre-de-música, no decorrer do tempo,
identificou-se como uma das poucas profissões com acesso ao mundo das letras. O
presente texto trata de demonstrar como no universo colonial, através de
práticas consuetudinárias, o mestre-de-capela, e posteriormente o músico sem
provisão eclesiástica, inseriu-se num aspecto pedagógico mais abrangente
atuando como mestre de primeiras letras. Esse processo prevaleceu até mesmo
entrando no século XIX, já que configurava construções de sentidos comunitários
que conduziam a padrões de influência e poder, formas de uso e vias de acesso.
Nesse sentido, o próprio sistema refletiria o jogo da dominância dos discursos,
dos cânones, onde o domínio do mundo letrado estava associado, mais do que
atualmente, ao universo sonoro.
De Poe a
Mozart
Eduardo Seincman
ECA-USP
seincman@uol.com.br
Resumo: A composição (literária ou musical) não pode ser
entendida somente como uma questão de linguagem. É por isso que o importante
ensaio teórico de Edgar Allan Poe denomina-se "Filosofia da
Composição". Ao levantar questões que se referem mais propriamente ao Discurso
das expressões artísticas, sua "filosofia" mostra ser um reflexo e ao
mesmo tempo se reflete em outras áreas do conhecimento: em particular,
constata-se uma mútua imbricação entre literatura e música. O
Discurso diz respeito à maneira pela qual a obra de arte comunica-se com o
público, e assim o fazendo, a técnica da composição já não é, por si só, suficiente:
deve estar à serviço da expressão, levando-se em conta, portanto, os dados de
recepção dos apreciadores. E, como não há recepção sem memória e esquecimento,
é necessário considerar seus importantes papéis.
Série arquivo da palavra do selo
fonográfico discoteca pública municipal (São Paulo, 1936- 1945): Braço de
projetos natimortos, terreno fértil e inexplorado para pesquisas
Evaldo Piccino
Discoteca Oneyda Alvarenga - Centro Cultural São Paulo
Coordenador de Acervo Sonoro
Mestrando em Multimeios – IA/UNICAMP
evaldopshell@hotmail.com
Resumo:
Parte
integrante do projeto de políticas culturais do Departamento de Cultura da
Prefeitura do Município de São Paulo, recém criado por Mário de Andrade, o selo
Discoteca Pública Municipal, pioneiro em lançamentos de Musica Brasileira
erudita, étnica e folclórica em discos de 78 rotações, também lançou em 1937 a
série Arquivo da Palavra , com gravações de interesse filológico e lingüístico.
A série era dividida em dois sub-ramos: Homens ilustres do Brasil, registrsu da
voz de pessoas do cenário artístico e intelectual do Brasil (como Lasar Segall
e José de Alcântara Machado); e Pronúncias Regionais do Brasil, visando um
estudo comparativo das dicções das diversas regiões do país. Com texto padrão
elaborado por Manuel Bandeira e Nicanor Nascentes, as gravações do sub-ramo
Pronúncias Regionais do Brasil foram apresentadas no I Congresso da Língua
Nacional Cantada (São Paulo, 1937) e comporiam o Museu da Palavra da
Discoteca.. Ao contrário das outras séries do selo: Folclore Musical Brasileiro
e Música Erudita Brasileira, que recentemente foram retomadas como relançamento
do selo Fonográfico da Discoteca, em parcerias com a Petrobras e o SESC e
geraram inúmeras pesquisas, a série Arquivo da Palavra não foi nem relançada
nem devidamente estudada, seja do ponto de vista lingüístico, fonográfico ou
político-cultural. O mesmo ocorreu com o Congresso da Língua Cantada, que
sequer teve realizada sua segunda edição e outros projetos do Departamento,
como a Sociedade de Etnografia e Folclore e a Rádio-Escola. O objetivo da
Comunicação é apresentar a série como terreno fértil e inexplorado para
pesquisas
'Literatura e Hiper-Modernidade: de Edgar Allan Poe a Gilles Deleuze'
Flávio Viegas
Amoreira
''Literatura do Estilhaço: Linguagem e
hipermodernidade; Manifesto-Tese
apresentando aspectos contemporâneos da escritura e
intertextualidades nos limites pós-modernos. Geração 00: Poesia, Prosa e 'Proesia'.''
As várias vozes da voz: sobre o experimentalismo na obra de Gilberto
Mendes
Heloísa
de Araújo Duarte Valente
Instituto
de Artes/ Unesp
A presente comunicação pretende apontar, através da
obra experimental vocal do compositor Gilberto Mendes, a incorporação de
elementos voco-performáticos, ruídos originariamente não-musicais e outros,
como conseqüência da implantação de uma paisagem sonora, estética e musical,
que somente teria surgido na segunda metade do século XX. Para tanto, a
abordagem se apoiará em conceitos de Paul Zumthor, R. Murray Schafer, além de
depoimentos do próprio compositor.
Varoli e Tonelo: dois compositores
da região do ABC paulista nos anos 1950 e 1960
Herom Vargas
Universidade Municipal de São
Caetano do Sul – IMES
Vilma Lemos
Universidade Municipal de São
Caetano do Sul – IMES
Resumo:
Sambas-canções,
boleros, tangos e valsas, em sua maioria gêneros de temática romântica, tiveram
grande preferência entre a população brasileira na primeira metade do século
XX, sobretudo na década de 1950, em sintonia com a última fase da chamada Era
do Rádio. No Grande ABC paulista não foi diferente. As quatro emissoras que
surgiram na região a partir de 1953 (Rádio Clube e Rádio Emissora ABC – atual
Rádio ABC – ambas de Santo André, fundadas em 1953, Rádio Independência, de São
Bernardo do Campo, criada em 1957, e a Rádio Cacique, colocada no ar em 1958,
com sede
Da sublimação do
imaginário social à potência musical: algumas notas sobre a Relação
texto-sonoridade no glam rock de David Bowie
Leonardo Aldrovandi
Faculdade de Ciências Humanas –
FUMEC
Resumo:
Este
texto pretende ser um ponta-pé inicial de uma série de reflexões sobre a
produção do que se convencionou chamar de glitter
ou glam rock, partindo do conhecido
imaginário visual, musical e narrativo de um de seus principais participantes,
o popstar David Bowie. Procuraremos
associar este imaginário a um patamar menos investigado: a força de expressão
social e multi-sensorial provocada por esta música na primeira metade da década
de setenta, tendo por base o pensamento sobre a relação entre a sonoridade das
canções e suas letras.
En
defensa del texto. una propuesta para el análisis musicológico.
Liliana Casanella Cué.
Filóloga;
especialista en el Centro de Investigación y Desarrollo de la Música
Cubana.
Resumen: Este trabajo pretende llamar la
atención sobre las amplias posibilidades que el análisis del texto lingüístico
aporta a la investigación musical. A partir de estudios concretos de textos
pertenecientes a diversos géneros de la música cubana se abordan diferentes
modos de acercamiento a la relación texto-letra/ texto-música, más allá de un
enfoque puramente formal. La propuesta asume la premisa de que el estudio de
los textos, en su sentido más amplio, permite abarcar no solo el enfoque
estrictamente lingüístico y literario del discurso en pos de una siempre
cuestionable valoración cualitativa, sino que extiende sus juicios a elementos
sociológicos, etnológicos y de otras disciplinas afines, que aportan una
inestimable información, siempre en interacción con la música. El
desconocimiento de los códigos que diferencian los textos musicales de los
musicalizados, sí como la insuficiente
explotación de las potencialidades que, desde el punto de vista culturológico y
sociológico, propician el análisis de marras, ocasionan una valoración
tergiversada del discurso lingüístico-musical y por tanto, afectan la recepción
de la obra aún cuando esto no ocurra estrictamente desde el punto de vista
musical. De ello son ejemplo diversos enfoques acerca de los textos de la
música popular bailable, en comparación con géneros cancionísticos, así como
los que abordan la música campesina, cuya estrofa identitaria es la décima
espinela. Las investigaciones acerca de los vínculos entre letra y música desde
este punto de vista resultan insuficientes, pues predominan aquellas que
defienden el enfoque semiótico y semiológico, así como el de la aplicación de
los principios de la lingüística generativa y estructural.
Vozes e ritos - as oralidade no mundo
Magda Dourado Pucci
Pós-graduanda em Ciências
Sociais - Antropologia - PUC- SP
Resumo: Ao nos referirmos à voz, falamos em timbres, tons,
línguas, entonações, respirações, melos (melodia), ritmos, versos, narrativas, dialetos, poemas,
prosódia, ritos, expressões, coros, corpo, movimentos, pulsações, gestos,
performances. E, com isso, rapidamente adentramos o universo dos mitos e dos
ritos permeadas pela oralidade, o universo das sonoridades e musicalidades,
sempre plurais. Neste trabalho,
pretendo destacar a riqueza dos diferentes registros e timbres vocais presentes
em diferentes tradições orais do mundo. Narradores e cantores da África, da
Ásia, do Mediterrâneo, da Europa, das Américas, assim como os índios
brasileiros, exercem há milênios a arte de narrar histórias e cantar,
explorando diferentes nuances da voz. Proponho um mergulho nessas vocalidades,
relacionando-as a aspectos religiosos, cosmológicos, comportamentais de modo a
compreender mais profundamente esse fenômeno sonoro. Com uma abordagem
etnomusicológica - resultante da mescla entre Musicologia e Antropologia -
busco perceber como essas oralidades diversas se multiplicam, como elas estão
presentes na musicalidade e como elas se conectam de diferentes maneiras,
expressando imaginários complexos.
Os espaços da performance musical
Márcia Halluli Menneh
Secretaria Municipal do Verde e Meio Ambiente do
Município de São Paulo/ SVMA/DEPAVE ; UniSantos
Resumo:
O
texto discute as características físico-ambientais de espaços livres, públicos
ou não, que vem sendo apropriados (ou que foram projetados) para abrigar
apresentações musicais ao ar livre, de porte diferenciado, acolhendo os diversos gêneros musicais. Essas
apresentações alteram a paisagem dos
lugares onde acontecem, qualificando e alterando nossa percepção da paisagem As
apresentações artísticas ao ar livre (em especial as musicais) assumem
importância na configuração da paisagem urbana e tem impacto significativo na
vida cotidiana. O espaço livre público é (por definição) acessível a qualquer
um, de forma que é propício para reunir
os cidadãos urbanos para diversos fins. Mesmo no caso das apresentações ao ar
livre em locais de acesso restrito, devemos lembrar que, na maior parte dos
casos, o som ultrapassa os limites físicos do espaço em questão, atingindo
transeuntes e habitantes do entorno. Pelas
suas características democráticas, as apresentações ao ar livre foram
incorporadas às políticas públicas municipais e, muitas delas, contam com
apoio/patrocínio de diversas empresas face seu alcance e apelo popular
(divulgação/midia). São, também, utilizadas em diversos eventos políticos. O
presente trabalho tem por objetivo a identificação destes espaços, relacionando
suas vocações e uso, bem como os elementos que geram a configuração paisagística propícia para tais fins.
O
erotismo sagrado de Chico Buarque – uma breve leitura da canção Sobre todas as coisas.
Márcio
Ronei Cravo Soares
Mestrando
em Música pela Universidade Federal de Minas Gerais
contato: marcioronei@yahoo.com.br
Resumo : Propõe-se realizar uma análise interpretativa da canção “Sobre todas
as coisas”, de Edu Lobo e Chico Buarque, considerando-se gravação feita por
Chico Buarque no disco Paratodos, de
1993. Para a análise, é imprescindível perceber os textos verbal e musical como
partes constituintes de uma mesma unidade, estando, letra e música, em uma
relação dialógica, responsável por manter correspondências fundamentais para
que seja possível compreender, de modo amplo, o(s) discursos(s) presentes na
canção citada. Devem ser considerados, também, aspectos interpretativos do
canto de Chico Buarque, bem como traços estilísticos da instrumentação usada na
gravação.
Voz e Performance na Música de
Luciano Berio
Marcos Júlio
Sergl
IA/ UNESP; USJT
Resumo:
A poesia no século XX deixa de ser pensada
dentro de seus próprios preceitos, uma vez que podemos descobrir poesia na
prosa. A palavra poética liberta-se para dar vazão a novas dimensões
expressivas. A possibilidade de resultados infinitos exige uma leitura
consciente. Para tanto se faz necessário direcionar todos os sentidos para
apreender e consumar o objeto estético, resultando numa completa unidade de
nosso ser, de nossa consciência: uma adesão criativa. A música no século XX
também se liberta de seus parâmetros pré-estabelecidos pela cultura ocidental.
A partir do surgimento da música dita atonal, o papel da melodia,
particularmente no que concerne ao emprego da voz, é sensivelmente atenuado, ou
mesmo completamente anulado face ao interesse crescente pelas articulações
verbais muito diferenciadas. Dessa forma, materiais verbais em sua
integralidade e entonação musical se reencontram curiosamente na música
contemporânea – notadamente após o surgimento da música eletroacústica e o
desenvolvimento acentuado dos estudos da fonética e da fonologia – em um
contexto propício à supressão de toda oposição, enquanto origem presumidamente
comum. Analisamos a obra musical de Luciano Berio, compositor italiano, que
busca realizar a interface entre poesia e música, pensadas como relação de
continuidade e integração, como fronteiras nas quais a passagem de uma para
outra nem seja notada, uma nova relação entre palavra e som. Desse ponto de
vista, a obra de Berio constitui um exemplo singular de toda sua geração de uma
tomada de consciência radical de retorno à origem da música enquanto entonação
da palavra, a voz identificada historicamente com a inflexão melódica. Nesse sentido, a melodia ganha
seu lugar na obra de Berio, mas ela se apresenta como um dado da história, uma
incursão crítica, ou bem, como uma epifania (lírica e às vezes dramática) do
gesto vocal associado ao passado; em todo caso como uma das facetas, entre
outras tantas, de manifestação vocal.
Letra, Voz e Memória: À Escuta do Fado
Mônica Rebecca Ferrari Nunes - FAAP
/ UNIFAI
nunes.aureli@uol.com.br
Resumo:: Este trabalho
apresenta os resultados parciais da Pesquisa que desenvolvo, junto ao Musimid,
destinada a refletir sobre a memória gerada pelos tempos da escuta do fado
entre imigrantes portugueses em Santos. Com base na teoria semiótica da
cultura, representada por Iúri Lotman,
Bóris Uspenskii, Jerusa Pires Ferreira, e também fundamentada nos
estudos sobre Memória e Mídia (Zumthor,; Halbwachs; Yates; Nunes) , a presente
reflexão analisa as tramas da memória, que por meio do tempo da escuta de vozes
performáticas, podem ser acionadas por certos temas que percorrem fados que
entoam espaços, personagens, ofícios e tradições. Letra e voz criam liames para
as representações de mundos deixados para trás: bairros, ruas, amigos das
farras, amores, personagens cotidianos. Deslocar-se da terra natal é também
romper vínculos com afetos, espaços e tempos compartilhados, ainda que este
deslocamento possa ser provisório, uma vez que o imigrante, diferentemente do
exilado, voltará sempre que quiser ou puder. A memória do espaço se amplia nos
vestígios dos materiais e objetos cantados, já longínquos do imigrante que
escuta o fado. Se partir é morrer um
pouco, como canta o fadista Carlos do Carmo, a permanência e a escuta de
tais canções podem significar a superação simbólica da morte, das perdas que as
rupturas instalam e, por seu turno, assegurar, por meio da memória, a
re-semantização destes territórios esvaziados pela distância.
Devir-Rádio
/ Devir-Música:
o
rádio contrapontístico de Glenn Gould em análise
Rodrigo Manzano
Programa de Estudos Pós-Graduados em
Comunicação e Semiótica (PUC/SP)
Faculdade de Comunicação Social
(UniFIAMFAAM, SP)
Resumo: Este trabalho apresenta, analisa e contextualiza a Solitude Trilogy, série de documentários
radiofônicos produzida pelo músico, pianista e compositor canadense Glenn Gould
(1932-1982). Os três documentários – “The Idea of North” (1967), “The
Latecomers” (1969) e “The Quiet in the Land” (1977), transmitidos pela emissora
canadense CBC – representam, no âmbito dos estudos de linguagem, a intersecção
entre os suportes massivos de comunicação e a arte sônica, visto que o
princípio de edição desses programas documentais fundamentava-se na abordagem
da sintaxe radiofônica a partir de critérios musicais, postulando o que Gould
denominou “rádio como música” e “rádio contrapontístico”, percepção notadamente
influenciada pela obra de J. S. Bach (1685-1750), compositor bastante executado
por Gould em sua carreira pianística. O contexto metodológico desta pesquisa
considera que seja necessária uma reflexão sobre o papel estético do rádio
contemporâneo, ressaltando o caráter figurativo/representativo da fala
radiofônica em detrimento de princípios estéticos mais articulados às
sonoridades. Operaram como base para uma crítica da linguagem radiofônica
vigente os conceitos desenvolvidos por Gilles Deleuze e Felix Guattari de
“palavra de ordem” e de “devir”. Esta comunicação é um excerto das conclusões
de pesquisa desenvolvida no Programa de Estudos Pós-Graduados em Comunicação e
Semiótica, da PUC-SP, entre os anos de 2004 e 2006.
“Refazendo a Refazenda”: diálogos com
Gilberto Gil em dois momentos de intervenção social de Ana Maria Machado
Susanna Ventura MusiMid e Universidade de S. Paulo)
Resumo:
A
presente comunicação debruça-se sobre dois momentos do diálogo da escritora
brasileira Ana Maria Machado com a obra, o artista e o cidadão Gilberto Gil. Na
obra da escritora existe um forte diálogo com a Música Popular Brasileira.
Tomamos como primeiro momento de diálogo com Gilberto Gil o romance Tropical sol da liberdade, publicado em
1988. O segundo, momento de diálogo, em contraponto ao primeiro, tomamos da
intervenção “Carta ao ministro”, publicada pela autora na imprensa brasileira
em 2004.
Pedro Páramo: los rumores del
sonido”
Dra. Susana González
Facultad de
Filosofía y Letras, UNAM
Tomando por base conceitos de Murray Schafer e Paul
Zumthor, o texto pretende abordar alguns aspectos relativos às paisagens
sonoras expostas na obra de Juan Rulfo: paisagens sonoras evocadas pelos
próprios elementos da narrativa, além da construção de paisagens sonoras
internas à linguagem literária.
Uma analogia entre linguagem verbal e
linguagem musical
Tânia Maria Silva Rêgo
Diretora da Escola de Música do
Estado do Maranhão - Lilah Lisboa de Araújo.
e-mail: taniarego2@yahoo.com.br
Resumo: A posse da
linguagem é o que mais claramente distingue o homem dos outros animais. Uma
grande parte de lingüistas aponta que a fala é historicamente anterior à
escrita. A psicanálise freudiana e de seus seguidores, tece importantes
conceitos desse imbricado novelo de: signo/significante/significado e o poder
simbólico da palavra evocar o que está ausente, dizer e não dizer ou mesmo
criar, inventar e reinventar. Nesse sentido, estar diante de uma linguagem é
estar diante de uma transcendência. Uma primeira aproximação entre a linguagem
verbal e musical dá-se pela constatação delas serem linguagens sonoras. O som e
suas variações rítmicas são a base fundamental de suas complexidades. A gênese
canto-palavra (surgindo juntas como forma de expressão) é demonstrada nos
cantos guerreiros, cantos de trabalho, cantos festivos e demais ritos sociais.
A música, na maioria das vezes desempenha um papel social/mágico e não
necessariamente estético. No entanto esse encontro, na maioria das vezes
simbiótico, apresenta paradoxos ao longo do percurso histórico. Diante da
impossibilidade de aplicar um conceito indistintamente a fenômenos tão diversos
na música (ritos primitivos, monodia, polifonia, etc.) e na linguagem verbal (
atos de alertar, de informar, etc.). Fez-se um recorte, adotando como eixo
central desta comunicação a música popular brasileira urbana, tonal, da década
de 50 do século XX e a poesia. Schurmann*, ao verificar os procedimentos nas estruturas tonais,
reconhece uma surpreendente analogia com aqueles das estruturas próprias à
linguagem poética. . Observando todas as analogias e coincidências tratadas,
percebemos que as especificidades da música e da poesia são irredutíveis; é
possível chegar-se ao máximo da aproximação, esmiúça-las, mas não entendê-las
como unidade, como uma fusão. Ambas se relacionam de uma forma quase didática,
relação de complementação explicativa, facilitando e contribuindo para uma
transformação social onde o ouvinte/interprete crie e recrie.
Análise prosódica como ferramenta de interpretação da
canção: um enfoque sobre a questão do “núcleo de identidade” da canção popular
Prof. Wladimir Mattos (FASM)
wlad_mattos@yahoo.com.br
Resumo:
No
contexto dos diversos gêneros de música popular, ao nos referirmos a uma canção
enquanto objeto de interpretação musical, sobretudo, quando ela está ausente no
ato da referência (quer por intermédio de uma execução “ao vivo”, da reprodução
de uma mídia gravada ou de uma partitura), compartilhamos com nossos
interlocutores, quando muito, uma concepção aproximada do que se reconhece como
o “núcleo de identidade” desta canção. É, portanto, a partir deste senso comum,
com maior ou menor grau de convergência, que se estabelecem as interações
musicais nas situações de ensino/aprendizagem e performance/apreciação, entre
outros processos interpretativos. A partir de um modelo analítico inicialmente
proposto para o tratamento das tensões acentuais do ritmo prosódico entre
componentes melódicos verbais e musicais, chamamos a atenção para as possíveis
contribuições desta prática analítica na identificação das características que
permitiriam a um grupo de interlocutores o compartilhamento de noções das mais
gerais às mais particulares sobre os diferentes níveis de percepção dos
parâmetros elementares que constituem a canção. Finalmente, ao observarmos o
alto grau de liberdade interpretativa que caracteriza as diversas tradições da
música popular brasileira, destacamos a validade instrumental de procedimentos
analíticos como o que propomos, sem os quais, ao nos referirmos a uma mesma
música, corremos o risco de não alcançarmos um nível de fruição dos seus
detalhes, ou até mesmo, de nos referirmos às
músicas completamente diferentes.
1º Encontro de Música e Mídia: “AS MÚLTIPLAS VOZES DA CIDADE” (2005)
PROGRAMAÇÃO
14 de setembro
18:00 Entrega de material
19:00
ABERTURA SOLENE
Reitora da UniSantos, Profª Maria Helena de Almeida Lambert
Diretor do SESCSantos, Felipe Mancebo
Secretário Municipal de Cultura, Carlos Pinto
Vereador Reinaldo Martins,
responsável pela área de Arte e Cultura na Câmara Municipal de Santos.
19:30
22:00 ABERTURA: AS MÚLTIPLAS VOZES DA CIDADE
I Santos e suas múltiplas vozes em trânsito
Prof. Flávio Viegas Amoreira
II Santos e a música, à voz de seus músicos ilustres Prof.
Dr. Mº José Antônio de Almeida Prado Prof. Mº Roberto Sion
III Santos, muitas cidades numa só, na minha
cabeça... Como minha música... Prof. Dr. Mº Gilberto Mendes
Interlocutor: Prof. Dr. Diósnio
Machado Neto (ECAUSP) Mediador convidado: Prof. Dr. Roberto Carlos Castro
15 de setembro 9:00 12:00 MÚSICA POPULAR
BRASILEIRA: GÊNEROS E HISTÓRIA
Profª Drª Martha T. Ulhôa (Unirio)
Profª Drª Cláudia Neiva Matos (PACC/UFRJ e UFF)
Prof. Dr. José Geraldo Vinci de
Moraes (FFLCH USP) Prof. Ms. Wladimir Mattos (Unesp)
Mediadora: Profª Ms. Zuleika V. Olivan (MusiMid)
12:00 12:30 apresentação musical: Quarteto Sanctos
12:30 14:00 intervalo
14:00
16:00 MEMÓRIA FONOGRÁFICA E HISTÓRIA DAS RÁDIOS
Profª Drª Carmem Lúcia José (USJT/ PUCSP)
Manoel Ramos e Lídia Miguez (radialistas e cantores de
música portuguesa)
Prof. Marcelo di Renzo (UniSantos)
Prof.
Francisco Coelho e Evaldo Piccino (Discoteca Oneyda Alvarenga /CCSP) Mediador:
Prof. Dr Gil Nuno Vaz (MusiMid) 16:00 16:30 apresentação musical:
Coral da
Terceira Idade do SESCSantos. Reg.: Mª Sandra Diogo Moço 16:30
18:30 ENSINO E DIFUSÃO MUSICAL
Prof. José Simonian (Simonian Escola de Música)
Mª Sandra Diogo Moço (Coral Maturessência; Madrigal SESC
Santos)
Mº Roberto Martins (Madrigal Ars Viva)
Profª Kika
Willcox (professora de canto e cantora) Mediadora: Profª Ms.Teresinha Prada
(MusiMid) 18:30 19:00 apresentação musical:
Coral Maturessência
(UniSantos). Reg: Mª Sandra Diogo Moço
19:30
22:00 MÚSICA BRASILEIRA E CULTURA LATINOAMERICANA
Prof. Dr Amálio Pinheiro (PUCSP)
Profª. Drª Tânia Costa Garcia (Unesp/ Franca; FAAP)
Mariana Avena (cantora de tango)
Marcello Laranja (Clube do Choro)
Mediadora: Profª Drª Heloísa de
A. Duarte Valente (MusiMid)
16 DE SETEMBRO
9:00
12:00 HISTÓRIA, MEMÓRIA E IMAGINÁRIO
Prof. Dr. Norval Baitello (PUCSP; UniSantos))
Prof. Dr. Marcos Napolitano (FFLCHUSP)
Prof. Dr. Alberto Ikeda (IAUNESP)
Prof. Dr. Roberto M. Moura (UniRio)
Mediador: Prof. Dr. Herom
Vargas (MusiMid)
12:00 12:30 apresentação musical
12:30 – 14:00 – intervalo
14:00
16:00 TEMPO, MEMÓRIA E ESPAÇO URBANO
Prof Drª Leila Diêgoli (UniSantos)
Profª Drª Márcia Halluli Menneh (UniSantos)
Prof. Dr. Marco Antônio Batan (UniSantos)
Prof. Ms. Milton Pelegrini (PUCSP; UniSantos)
Mediadora: Profª Drª Simone
Luci Pereira (MusiMid)
16:00 16:30 intervalo
16:30
18:00 OS PROFISSIONAIS DA MÚSICA
Prof. Dr Antônio Eduardo Santos (professor universitário e
pianista)
Prof. Ms. Luiz Antônio Cancello (músico, psicólogo e
professor universitário)
Mº Manoel Roberto Lopes (Orquestra de Câmara da UniSantos)
Celso Lago (cantor)
Ricardo Teixeira (músico)
Mediadora: Profª Ms. Silvia de
Lucca
18h 18h30 Jê Feitosa e Grupo AntiMonotonia 19:00 19:30
MUSIMID: PROJETOS E ATIVIDADES
"A canção das mídias: memória nomadismo: O Fado na
cidade de Santos"
(projeto financiado pelo CNPq Edital Universal)
Profª. Drª. Heloísa Valente –
UniSantos
19h30
21h00 Projetos individuais dos pesquisadores do MusiMid:
Profª Drª Heloísa de A. Duarte Valente (coordenadora)
Prof. Dr. Herom Vargas (vicecoordenador)
Prof. Dr. Gil Nuno Vaz
Profª. Drª. Mônica Rebecca Ferrari Nunes
Profª Ms. Silvia de Lucca
Profª Drª Simone Luci Pereira
Profª Ms. Susanna Ventura
Profª Ms. Teresinha Rodrigues Prada Soares Prof. Ms.
Theophilo Augusto Pinto
21:00 –
ENCERRAMENTO
Madrigal Ars Viva . Reg.: Mº
Roberto Martins
Organização Geral:
Profª. Drª.
Heloísa de A. Duarte Valente, Prof. Dr. Gil Nuno Vaz, Profª Ms. Teresinha
Prada, Profª Ms. Silvia de Lucca, Prof. Ms. Jorge Luiz Ribeiro de Vasconcelos
Comissão Organizadora:
Profª.
Drª. Heloísa de A. Duarte Valente, Prof. Dr. Gil Nuno Vaz, Profª Ms. Teresinha
Prada, Profª Ms. Silvia de Lucca, Ercília Pouças Feitosa, Adrianne Mansano
Okazaki André Baptista
de
Vasconcelos, Tiago José Cocco Liberatori
Promoção:
Núcleo de Estudos em Música e Mídia (MusiMid)
SESC Santos
Apoio:
Livraria Pagu