sábado, 25 de maio de 2019

15º ENCONTRO INTERNACIONAL DE MÚSICA E MÍDIA ... E o que vento levou, além do arco-íris? (Sobre música e memória) São Paulo 25 a 27 de setembro, 2017


Há 80 anos, o mundo se emociona com a estreia de duas obras cinematográficas: E o vento levou e O mágico de Oz. Os memoráveis filmes, além da direção de Victor Flemming compartilham outra participação importante: a do compositor Max Steiner, quer na escrita da trilha de abertura, quer no arranjo de canções. Tanto o tema de Tara, quanto Além do arco-íris (Over the rainbow) ainda permanecem como clássicos do repertório de artistas contemporâneos, ocupando a paisagem sonora e memorial de geração a geração.
Vinte anos antes, em plena I Guerra Mundial, Darius Milhaud chega ao Rio de Janeiro em missão diplomática. O contato com o país faz com que sua música incorpore paisagens sonoras e musicais: não apenas adota gêneros locais, como tango, samba, maxixe, bem como também se vale de trechos de peças conhecidas, que aparecem em forma de citação, fruto da escuta praticada de todo tipo de música, nos concertos, nos saraus, na rua... Saudades do Brasil, uma suíte de doze peças para piano completa seu centenário e, coincidentemente, evoca algo de muito caro aos estudos da música em suas diversas interfaces: Ao empregar essa técnica composicional, Milhaud não apenas inscreve em seu repertório a paisagem musical do Brasil em que viveu. Mais que isso, ao citar trechos de peças pré-existentes, transforma em memória “aquele tempo”, parar além da própria estética musical que sistematizou (a politonalidade). Muito provavelmente esta não era a intenção do compositor, mas assim resultou...
Boa parte da obra de Milhaud constitui memória da música, pela música. Mas há outras maneiras de fazê-lo. Se Over the rainbow pode ser escutada repetidamente na voz de Judy Garland, nas mais diferentes plataformas midiáticas, até o fim do século XIX não havia outra forma de conservá-la senão pela escrita (partituras). A possibilidade de registro sonoro permitiu a criação de coleções, acervos, passíveis de ser armazenados e catalogados. A criação de acervos e fontes documentais é resultado de iniciativas pessoais ou institucionais e, para que sejam mantidas, políticas públicas são prioritárias – o que lhes garante a sua conservação e continuidade dos trabalhos de classificação e arquivamento. Nesse ponto, a informática vem impulsionar o relevante trabalho desenvolvido pela ciência da informação, com a disseminação das plataformas digitais. Em contrapartida, quando assumida por sistemas menos rígidos, resulta em repercussões importantes. O afrouxamento no critério de classificação ou a presença tímida de especialistas faz com que Spotify, Deezer e outras empresas passem a oferecer obras em turbilhões, via on-line, organizadas, não raro de forma incompleta ou mesmo despropositada. E, em outro sentido, o surgimento de canais como o Youtube permitem o acesso a materiais até então inatingíveis ou desconhecidos.
Neste ponto, cabe indagar: como as músicas absorvidas por essas plataformas poderão ser reconhecidas ou encontradas? Existem interesses, mecanismos e ações no sentido de garantir a incorporação de um amplo repertório aos acervos, sobretudo se considerando a efemeridade das plataformas midiáticas e formatos dos dispositivos reprodutores?
Não menos inquietante é a relação que se estabelece entre arquivo e memória: além da constante mudança de tecnologias, obedecendo a interesses voltados às demandas do capitalismo, há imperativos de natureza cultural: cultura é memória que, por sua vez, implica em seleção. Conforme apontam os teóricos da Escola de Tártu, a dinâmica da memória se processa em movimento de permanência e descarte: as culturas se lembram esquecendo... Mas tendem, de outra parte, a gerar novos textos, a partir de processos de ressignificação dos pré-existentes.
Sob outro aspecto, podemos destacar também a subjetividade da memória musical, seja ela individual ou coletiva: há obras se estabelecem como lugares de memória, marcando acontecimentos pontuais ou periodizados, estabelecendo vínculos com fatos da vida coletiva ou individual. A importância, a força dos dos signos (musicais) da memória pode interferir na sua duração dos lugares de memória.
Por fim, mecanismos de natureza orgânica determinam a configuração da memória. Aqui, as formas de sensibilidade variam mediante estímulos (ou a ausência destes), fundamentados num sistema (neuro)biológico. Aqui não se pode deixar de ressaltar sua importância na conformação da memória do compositor, que se inscreve a partir de experiências auditivas desde a infância, a memória que o músico desenvolve (estilos interpretativos, modelos performáticos etc.), assim como a memória dos ouvintes que, por sua vez, também é constituída por um universo de escuta adquirido ao longo da vida.
O 15º Encontro pretende, assim, trazer à discussão as relações entre memória e música. Memória, como mecanismo de armazenamento e fixação, mas também de descarte, ressignificação e geração de novos textos; memória como atividade do organismo, que oscila e cria processos semânticos mediante estímulos diversos; memória como forma de registro e suas técnicas específicas de conservação. Também o papel das políticas e instituições que atuam com o objetivo de conservar o repertório musical de todos os tempos se encontram no centro das discussões, aqui propostas.
Neste ano, o MusiMid conta com a participação dos professores-doutores Ana Guiomar Rêgo Souza (UFG), Barbara Heller (UNIP), Herom Vargas (Metodista),  Magda Clímaco (UFG), Márcia Ramos de Oliveira (UDESC), Mônica Rebecca Ferrari Nunes (ESPM), Priscilla Perazzo (USCS) como interlocutores, com o objetivo de explorar as diversas maneiras de entender a memória no seu aspecto orgânico e suas reverberações nas formas de sensibilidade e criação estética, como também nas formas de sociabilidade. Para tanto, os debates estruturam-se em três eixos temáticos:


1            Acervos, banco de dados, coleções:
As políticas de seleção, organização e configuração dos bancos de dados. O papel dos atores sociais: instituições governamentais e não-governamentais na salvaguarda e conservação. Descartes e desmanches de acervos e coleções. O papel do esquecimento e os processos de ressignificação.

2     Um grande acervo universal. Signos lembrados e esquecidos.
Nem tudo que existe é guardado como arquivo, como memória. Há escolhas que determinam a permanência ou esquecimento, orientando processos de ressignificação. Plataformas como Spotify e o Deezer não implicam na transferência de todas as obras. Ademais, a transferência de materiais fonográficos deixou de trazer consigo as informações sobre a gravação original. Este eixo temático pretende debater estas implicações.

3   Memória e a música: processos de memória e esquecimento entendidas sob o aspecto biológico e neurobiológico (da cognição a estímulos de natureza sensorial e emotiva como traumas etc.); as operações cognitivas que entram em cena na fixação de memórias: subjetividades; afetividades; poderes de vínculo; vermes musicais; alucinações e estados alterados de consciência; a memória musical do músico e do ouvinte e suas formas de configuração.


Local: cidade de São Paulo (local a ser divulgado em breve)
Data: 25 a 27 de setembro.

Modalidades de participação:
Comunicações orais
Sessões de pôsteres
Sessões audiovisuais.

Datas importantes:

Chamada para trabalhos: 1º de abril a 26 de maio
Resultado da seleção: 5 de junho
Envio dos trabalhos completos: de 1º a 12 de agosto.

Maiores informações , na página: www.doity.com.br/15encontromusimid

quarta-feira, 30 de maio de 2018

14º Encontro Internacional de Música e Mídia: Compassos, passos, espaços: os lugares da música: PRAZO DE SUBMISSÃO PRORROGADO!

Atendendo a diversos pedidos, prorrogamos o prazo de submissão de propostas de trabalho para até o dia 14 de junho.

informações e inscrições na página do evento:
https://www.doity.com.br/14encontromusimid

domingo, 27 de maio de 2018

about the 14th. Music and Media meeting call

Dear colleagues,

we have tried several times to publish the complete call of papers. We  just cannot understand why 2 paragraphs cannot be read...
we apologize for that!




F

14th International Meeting of Music and Media “Measures, Steps, Spaces: the places of music”.

The eternal silence of these infinite spaces frightens me...” The instigating quotation from Pascal’s Thoughts refers to the new order of the universe in the seventeenth century as geocentrism is abandoned to adopt heliocentrism. The thought dividing the world into two parts: "from the heavens" (upper) and "from the earth" (lower, corruptible) was broken. The beliefs instituted by the Church were shaken. From then on, the closed celestial world, which was ending, becoming giant, infinite ... As it is well known, from then on the world began to be perceived and felt in other contours.

For centuries we have seen that both concepts and perceptions of time and space expand their boundaries, arousing curiosity and giving rise to important concerns in the field of science and art. Thinking in the very particular case of the forms of creation, appreciation and musical performance, we verified that these dimensions space-time passed, through the centuries, by different forms of conception. Concerning to musical composition, space has gradually become a parameter, giving rise to other categories (environment, sound landscapes, etc.). Gradually, aesthetic appreciation was also conditioned by the various technical means that emerged (devices, listening places, sound territories) and their possibilities of use. These same conditions would imply changes in performance (a drama to three, Zumthor would say) irreversibly.

In another aspect, space unfolds its physical dimension into symbolic, scrutinizing itself in places and territories. Songs, practices and repertoires are limited to their propagation capacity and to the groups that produce them, configuring acoustic communities. According to the Brazilian geographer Milton Santos, space allows the construction of territories: practiced, lived, disputed. Their constructions of meaning are guided by the uses and appropriations that groups and subjects make, in a complex elaborated between fixed and flows.

In contemporary times, space is not conceived, therefore, as a closed reference, but permeated by local and global flows and the meanings of cosmopolitanism. Space is considered as a field of possibilities since locus of interrelationships, encounters, circulations and processes are always dynamic and unfinished.

In another direction, the acoustic universe collides with the space community. The early attempts for solving that were restricted to the elaboration of laws to delimit the invasion of noise, being the closed space the route of escape of the noise present in the open air environments.

Many of these themes were published 40 years ago in book by composer R. Murray Schafer, for whom the world is a great composition. In publishing the book, spaces and lanes of circulation of sound events were, according to Schafer, rather congested. Still, other forms of sound production and circulation were still to come ... Also in the 1970s, Henri Lefebvre in his work The Right to the City, proposed a conception of a city that should not be determined by the might and planning of planners, but instead where daily life of the inhabitants had a fundamental place in the formulation of urban living.



The 14th International Encounter of Music and Media invites people interested to discuss and study themes related interface music/space interfaces in its multiple approaches. Given its breadth, we propose a division into three branches, as we state, below:



Branch 1 - Compositional aesthetics and ways of listening:

Historically, it may be noted that over the centuries the world population only grew, leading to the expansion of villages to large metropolises. Life in the countryside also gave way to the city, compacting the urban space. These changes caused great mutations in the constitution of the space (s) but, above all, in the forms of the adequacy of the space dimension: distance, extension, time, has become scales in different standards. Tracing and traversing, people communicate sonorously and musically through their voices, footsteps, and machines, leaving their mark (sonorous) along the way. This branch is supposed to bring together works that deal with the planning and poetic appropriation of the physical space, making possible the composition and reconfiguration of sound and musical landscapes, such as the architecture of buildings allows, limits, conforms the sensitivity of listening and its performance: from the theatrical stage to the sports stadium; from the recording studio to the satellite transmission; still: as the processes of musical creation are amplified with artifacts of an artistic nature, such as “jardin sonore”, urban installations, mobiles and sculptures.

Branch 2 – Music, cultures, and territories:
This branch is dedicated to gather and discuss works that relate music and musical practices to the notions of use and appropriation of spaces, through not only by the elaborations imposed by the powers (ideological, political, urban), but in their uses and appropriations by the subjects, configuring territorialities and production of local senses. (Re)invention of urban territories, construction of places of memory, public policies and spaces, forms of articulation e embodiment/performances/spaces, processes of (re) territorialization, imaginary linked to the spatialities, uses and disputes over the city places, notions of creativity/innovation related to the cities. These are some of the themes that, articulated to the music and its practices, will be contemplated here.

Branch 3 - Urbanistics, architectonics and creative poetics:
The topics presented above plead in addition to theoretical discussions, propositions, and initiatives. This branch brings together proposals for experimentation and practices involving the relations between landscapes and territories, environment and architecture, in their constructive conceptions, under the artistic or functional aspect: urban interventions, installations, acoustic projects, etc.

General Coordination and curatorship:
Heloísa de A. Duarte Valente
Simone Luci Pereira
Ricardo Santhiago

Scientific Committee:

Anselmo Guerra
Juliana Coli
Juliano Pita
Paulo Chagas
Rafael Righini
Fabiana M. Coelho
João Marcelo Brás
Juliano de Oliveira
Laan Mendes de Barros
Marcel de Oliveira Souza
Marcos Julio Sergl
Marta Fonterrada
Mauricio Ribeiro da Silva
Nancy Alves
Paulo Henrique Lopes
Rafael Righini
Saulo Alves
Vítor Pontes
Yuri Behr

Secretary and communication assistants
Raphael F. Lopes Farias
Maria Fernanda da Silva Andrade
Zé Renato Rodrigues
Lucimara Rett

Editor
Ricardo Santhiago
Web designer
Jonas Santos

Audiovisual production:
Robson Andrade
Vitor Scarpelli

Executive production:
Renata Gomes

Internacional guests:
Celsa Alonso (Universidad de Oviedo – Espanha)
Paula Guerra (Universidade do Porto - Portugal)
Paulo Chagas (University of Rivverside – EUA)

Guests:

Place: Escola de Música e Tecnologia – EM&T
Date: 11 a 13 de setembro.

Modalities of participation:
Oral communications.
Poster sessions.
Audiovisual sessions.

Deadlines:

Paper submissions: April 20 – May 10, 2018.
Acceptance notification: June 3, 2018.
Deadline for receiving full papers: August 1st – 12, 2018.

More informations https://www.doity.com.br/14encontromusimid/ 

sexta-feira, 6 de maio de 2016

12º Encontro Internacional de Música e Mídia Viver sua música

12º Encontro Internacional de Música e Mídia
Viver sua música
São Paulo
14 a 16 de setembro, 2016


Viver sua música... De quantas maneiras é possível? Talvez uma das experiências mais antigas seja a do acalanto, seguida das cantigas rimadas, das danças de roda. Na primeira infância, pela transmissão oral... Depois surgiria a prática instrumental, a escuta mais ou menos atenta, de acordo com o repertório e seus rituais de fruição.
Assim deve ter sido a vivência musical, até pouco mais de há cem anos. Mais propriamente falando, até o final do século XIX, com o advento da esquizofonia tecnológica. Transformações drásticas foram surgindo no modo de vida das pessoas, em poucos anos - fato inédito ao longo de mais de dois milênios. Com a invenção de recursos de captação, transmissão, amplificação, armazenamento das informações acústicas surgiram os aparelhos de gravação e, logo em seguida, de transmissão, possibilitando a criação e desenvolvimento daquilo que se convencionou denominar indústria cultural. Este novo panorama, atingiu vários setores da sociedade, abrindo novos horizontes em várias instâncias no âmbito econômico, cultural, artístico. Objetivamente, estreitaram-se as relações entre os campos de estudo da sonologia e a performance musical.
A mediatização técnica aos poucos promoveu, inicialmente, a escuta em local fixo - a sala residencial, a sala de concertos. Mais tarde, a escuta ambulante, com fones de ouvido de grife ou descartáveis, comprados de vendedores ambulantes a preços módicos. A era digital promoveu a interação do estímulo visual, em paralelo ao sonoro (e, em várias situações, o estímulo visual, antes coadjuvante, tornou-se a orientação da atitude da escuta...)
Viver a música implica, frequentemente, o uso de acessórios materiais que, na falta de outro nome, podemos chamar de instrumento musical. Dentre uma miríade de exemplos, podem ser lembrados o piano, o tambor, o iPod, o toca-disco e o smartphone, dispositivos usados para a produção ou reprodução musical em ambientes e culturas os mais variados. Muitos desses aparelhos lembram a proximidade do conceito tecnologia, palavra utilizada para falar de novas propostas de performance e escuta – isto é, de vivência – da música. Ainda que existam até hoje aperfeiçoamento em materiais ditos “tradicionais”, como vernizes para violinos ou ligas metálicas para instrumentos de sopro, o que tem ganhado muita atenção é o uso da eletrônica em geral e suas aplicações digitais em particular. Porém, afirma-se, todos esses meios técnicos podem servir ao fim último do viver a música.
No que diz respeito à performance, verifica-se que, inicialmente a fonografia elegeu a voz como fonte privilegiada das primeiras gravações. Tal fato concorreu, ao mesmo tempo, para a criação do hábito de escuta da performance sem a presença direta do corpo e, mais ainda, distante dos espaços canônicos de sua realização. Por outro lado, permitiu a veiculação de modelos estéticos vocais filtrados e padronizados segundo critérios não apenas estéticos e técnicos, mas também mercadológicos. Como consequência imediata, a outras formas de escuta que decorrem de tal experiência são contundentes: escuta-se a voz a partir de um corpo imaginado. Não obstante, a voz realiza a performance, fundamentalmente, por intermédio de seus aspectos peculiares de capacidade de transmissão de suas emoções.
Vive-se a música de acordo com os estágios da vida: o bebê percebe de maneira diferente da criança, do adolescente, do adulto e do idoso. E também vivem a música, de maneira singular, as pessoas que, por razões diversas, fogem ao padrão: cegos, surdos, deficientes intelectuais, físicos e também pessoas que sofrem alterações de ordem psíquica. Tais receptores ouvem com o corpo em formas e protocolos distintos, reconfigurados e redesenhados continuamente.
Viver a música também é estudar o papel da música na sociedade, sua relação com outras artes, sua relação com as instituições, seu papel na construção de conhecimento, nas formas de agir no mundo, seu papel na vida das pessoas, bem como as suas formas de apropriação: questões de gênero, seu uso político, até como arma guerra (etc.)
Enfim, vivemos nossa música de várias maneiras e em diferentes graus de proximidade: da escuta atenta a qual dirigimos nossa atenção de maneira intensa, à mais despretensiosa, conjuntamente ao desempenho de múltiplas tarefas... E, embora não pareçam, todas elas constituem operações de alta complexidade intelectual, que acabam resultando em hábitos corriqueiros.
Este 12º Encontro dedica especialmente sua edição à memória do compositor Gilberto Mendes, incentivador desta reunião científica desde sua primeira edição, em 2005. Por isso, tomamos o título de seu segundo livro de memórias como motivação para os debates que se desenrolarão ao longo de três dias. Mas também, aproveitamos esta edição para evocar outros nomes que viveram sua música de maneira muito especial: nomes que deixaram de ser pessoas, para se transformarem signos... Poderosos signos representantes de sua época, de sua estética e de sua maneira de propor a escuta e fruição da música: Pierre Boulez, Keith Emerson, David Bowie, Prince, Severino Filho, Nicolaus Harnoncourt, Naná Vasconcelos, George Martin... Assim como não-músicos profissionais que viveram a música de outra forma, como Rogério Duarte e o teórico Umberto Eco. A organização do 12º Encontro convida os interessados a participarem das discussões, como ouvintes ou propondo comunicações, dentro dos eixos temáticos, a seguir:

Eixos temáticos:
         Viver a música, na diferença
Coordenação: Harete V. Moreno, Ricardo Santhiago, Wladimir Mattos.
A fruição musical está diretamente relacionada às diferentes formas de ouvir, pensar e expressar a música. O estudo destes comportamentos e suas motivações tende a tomar como base alguns padrões definidos como típicos do ser humano. Entretanto, muitas pessoas vivem as suas músicas em condições físicas, psíquicas e socioculturais que não correspondem a estes padrões. Há também importantes diferenças quanto à nossa experiência musical a cada estágio da vida: o bebê percebe de maneira diferente da criança, do adolescente, do adulto e do idoso. Vivemos a música em formas e protocolos distintos, continuamente reconfigurados e redesenhados. Este eixo pretende discutir estes “atravessamentos” que nos permitem compreender o que é viver a música, nas diferenças.

2       Ouvivendo a música: voz, corpo e emoção
Coordenação: Heloísa Valente e Juliana Coli
Recentemente, os avanços tecnológicos das linguagens da comunicação têm possibilitado a mensuração da voz humana cantada e falada, sob vários aspectos. Por se tratar do instrumento que reúne num só corpo instrumento e meio de execução e, tendo em conta que cada corporeidade vocal em registros fonográficos não pode ser apreendida objetivamente pela totalidade da performance (cf. Zumthor), conceitos oriundos da psicofonética (Fonágy), bem como da psicologia/personagem vocal (Bouchard), podem resultar em uma aproximação das nuances representadas pela complexidade do objeto em si: a voz. Ao mesmo tempo, a experiência da performance vocal dos “intérpretes incorpóreos”, podem expandir e acrescentar novas realidades estéticas, promovendo novas formas de sensibilidade e novas situações de escuta (novos contextos e lugares) ampliando, assim, os instrumentos de análise dos processos criativos, sem deixar de lado as performances convencionalmente estabelecidas.


3       Viver a música, no uso de instrumentos musicais
Coordenação: Theophilo Augusto Pinto e Sami Douek
Tendo como inspiração o pensamento de Antoine Hennion, propõe-se refletir sobre o instrumento musical não como um ente isolado, dado - ou seja, “morto”, estático - como se fosse apenas um elemento material a ajudar a compreensão de uma dada cultura. Também parece pouco pensar apenas sua evolução tecnológica sem que esta esteja ligada a outras dimensões do fazer música, seja na sua execução ou na sua escuta. Mais afirmativamente, este eixo temático pretende refletir sobre o instrumento musical como ator que, juntamente com partituras, pessoas, público (etc), negocia sua participação ativamente no uso dos recursos tecnológicos, na criação de gostos, estéticas, padrões de comportamento, narrativas e outros aspectos do viver musical.

4 Os poderes da música e a música do poder
Coordenação: Fernando Iazzetta e Paulo Chagas
Pode-se afirmar que, em grande medida, devido à sua natureza autorreferente, a música acaba é objeto de abordagens contrastantes, senão contrárias: De um lado, pode cimentar ou subverter relações de poder, tal como apontam destacados sociólogos (T. Adorno; J. Attali). De outra parte, pessoas envolvidas no universo musical (músicos, compositores, em particular) tendem a relegar a importância da música como linguagem da cultura, na sociedade e dentro do próprio campo artístico. Sob a alegação de ser uma arte abstrata, questões para além do que se costuma encampar no seu domínio (gramáticas, formas, estilos, etc.) acabam despercebidas ou desprezadas. Assim, o papel da música na sociedade, sua relação com outras artes, sua relação com as instituições, seu papel na construção de conhecimento, nas formas de agir no mundo, seu papel na vida das pessoas, bem como as suas formas de apropriação (questões de gênero, seu uso político, até como arma guerra, dentre outros) tornam-se temas periféricos. Sendo notória a necessidade de estimular debates a respeito, este eixo pretende discutir e problematizar as maneiras segundo e pelas quais se vive a música.



 Coordenação geral e curadoria:

Heloísa de A. Duarte Valente 
Simone Luci Pereira

Comitê científico e de leitura:

Harete Vianna Moreno
Juliana Coli
Marta Fonterrada
Ricardo Santhiago
Sami Douek
Theophilo Augusto Pinto
Wladimir Mattos

Fernando Iazzetta (Conselho consultivo/ convidado)
Paulo Chagas (Conselho consultivo/ convidado)


Secretaria e assessoria de comunicação
Raphael F. Lopes Farias
Paulo Henrique Lopes

Editor
Ricardo Santhiago

Webdesigner
Luiz Fukushiro


Convidados internacionais: 

Philippe Le Guern (Universidade de Nantes/ Musimorphoses), 
Sophie Maisonneuve (Universidade Paris Descartes- IUT; Musimorphoses) 
Rubén López-Cano (Escola Superior de Música da Catalunha)

Local: cidade de São Paulo (local a ser divulgado em breve)
Data: 14 e 16 de setembro.


Modalidades de participação:

Comunicações orais
Sessões de pôsteres
Sessões audiovisuais.


Datas importantes:Chamada para trabalhos: 
5 de maio a 10 de junho

Envio das propostas de trabalho: 
15 a 31 de maio

Resultado da seleção:
 20 de junho

Envio dos trabalhos completos: 
8 de agosto



quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Gilberto Mendes: concerto em março de 2015: Teresinha Prada

Divulgando homenagem de Teresinha Prada

Amigos,
com muita emoção vi que a Sintonize divulgou esse vídeo. Foi a última vez que estive com Gilberto Mendes, de 18 a 21 de março de 2015 em Campinas, no Instituto de Artes da Unicamp. Eu agradeço muito essa oportunidade. Abraços, Teresinha Prada.

Obras:
Blirium - 00:00
Preludio - 09:10
Quasi una Passacaglia - 11:30
Compositor - Gilberto Mendes (1922-2016)
Violão - Teresinha Prada


terça-feira, 5 de janeiro de 2016

GILBERTO MENDES, Surfando com James Joyce e Dorothy Lamour, nos mares do céu...


 MusiMid manifesta seu profundo pesar pelo falecimento de Gilberto Mendes (13/10/1922- 01/01/2016). Renomado compositor, professor, crítico e, nos últimos anos, romancista, Gilberto foi, além de tudo, um grande incentivador de todos as pessoas que a ele se dirigiram, solicitando orientação, opinião, sobre o que faziam. 


Quem pôde visitá-lo em sua residência certamente comprovará que de lá saiu com uma ideia a ser desenvolvida. 

Suas provocações instigantes, quase sempre lançadas de maneira delicada levaram muita gente a sair da tranquilidade que universo da redundância oferece, lançando-se à aventura do NOVO.
Este grupo de pesquisa a muito deve à figura dele: esteve presente desde os seus primeiros momentos, participando de maneira mais ou menos direta, como a produção do MusiMid comprova nos seus Encontros, iniciados em 2005 - e até antes deles. O Encontro de 2009 (O Brasil dos Gilbertos) talvez tenha sido a inspiração mais radical, resultando num belo livro, que organizei com Ricardo Santhiago (O Brasil dos Gilbertos:notas sobre o pensamento (musical) brasileiro, Letra e Voz).
A ciência e a medicina ainda não inventaram a vida eterna, mas a mente humana inventou os signos. 
Então, se Gilberto Mendes separou-se de seu corpo físico, tudo o que ele criou e transmitiu aos seus amigos, interlocutores e alunos permanecerá como signo: pelos vários registros que deixou mas, sobretudo pelos signos do afeto; pelas redes de amigos e continuadores de seus princípios estéticos e éticos!
Como líder do MusiMid, desde sua fundação, deixo minha modesta homenagem a este homem, com o qual tive o privilégio de conviver, por mais de 20 anos e que, foi uma das pessoas que mais radicalmente contribuíram para a minha formação intelectual.

Heloísa de A. Duarte Valente




Gilberto Mendes (1922-2016): Sailing in the Ocean of Creativity


Paulo Chagas

The Brazilian composer Gilberto Mendes passed away on Friday, January 1st 2016. He was one of these composers who always sought new directions for his music, who always challenged himself with new concepts and actions. Gilberto had a great impact on many generations of composers and musicians from Brazil and other countries including myself. He lived a long and happy life close to the Atlantic ocean in his beloved city of Santos, which was at the same time his safe haven and springboard for many endeavors in Brazil and around the world. As a self-taught composer, he grew up watching Hollywood movies, which was one of his great passions and constitutes a reference to understand his music. In the early 1960s he traveled to Europe and attended the composition summer courses in Darmstadt, Germany, which at the time was the mecca of the post World War II avant-garde music. There, Mendes had the opportunity to meet cutting-edge composers of the "New Music" such as Pierre Boulez, Henri Pousseur, and Karlheinz Stockhausen who, like him, where looking for new ways to express sounds and music. He assimilated and introduced in his own work some aesthetic trends of the New Music that played a crucial role in the music of second half of 20th century music such as integral serialism, aleatoric music, graphic music, Musique Concrète, and Elektronische Musik.
But Gilberto Mendes was not someone who just incorporated other's thoughts; he constantly generated his own conceptions and, above all, he put in practice his ideas in different contexts. Furthermore, his innovative attitude contributed to the development of Brazilian music and society. A significant initiative was the “Manifesto Música Nova” [New Music Manifest] that Gilberto released 1963 in collaboration with other composers and musicians. They swore the "total commitment to the contemporary world", which means accepting the economic reality of the mass media and the changing status of the artist in the society. The manifest points to the necessity to explore the new possibilities of electronic media and information technologies in a globalized world. They wanted new forms for a new society: Gilberto Mendes and his colleagues contributed to overcome the limitation of the nationalistic approach that shaped Brazilian music in the first half of the 20th century with the following message: if you pretend to be a Brazilian composer and create genuine Brazilian music, you have to look into the whole world and create music that reflects the issues of the time.
In 1962 Gilberto Mendes founded the "Festival Música Nova" [New Music Festival] and remained its artistic director and/or mentor until his death. The festival, which is considered one of the oldest of its kind in the world, has been an important platform of national and international exchanging and collaboration, a real bridge connecting Brazilian and musicians from all over the world. Gilberto commissioned new works, gave opportunity to emerging composers and invited prestigious musicians from Europe and North America to perform in the festival. For a composer as myself living since 1980 outside Brazil, the “Festival Música Nova” has been a great opportunity to connect with the Brazilian community and audience of contemporary music. For example, in 2008 I had the privilege to present in the festival my work Orbital Studies for piano and live-electronics (with a 8-channel sound spatialization system) in cooperation with the great Brazilian pianist Caio Pagano. Gilberto Mendes' musical openness provided the pluralistic vision that shaped the festival. His charismatic personality was crucial to ensure the continuity of this event, which has always fought against financial difficulties and the mediocre vision of Brazilian cultural institutions.
It is not easy to highlight the myriad of accomplishments by Gilberto Mendes. His compositions draw inspiration from many difference sources and have been performed worldwide. His works from the 1960's are particularly successful, such as the orchestral piece "Santos Football Music", a work conceived as a musical happening in which Gilberto critically reflects on the Brazilian passion for the soccer game and its idols such as “Pelé”, the greatest soccer player of all time who played in his hometown team Santos Footfall Club. His pieces for choir, mostly written for the "Madrigal Ars Viva" from Santos and using texts by Brazilian concrete poets, reveal an amazing deal of originality. For example, the madrigal "Beba Coca-Cola" [Drink Coca-Cola] with poetry by Décio Pignatari, a composition that explores the advertising appeal of the coke beverage and the disgusting effect it causes in our body (the singers burp on stage). When Gilberto Mendes started an academic activity he was already an accomplished composer. He was Visiting Professor at the University of Wisconsin-Milwauke (1978-9) and Professor of Composition at the University of São Paulo in the 1980s. But he was far away from being a typical academic composer. Besides composing, he was a passionate writer and journalist. For example, in 2009 he published the book "Viver Sua Música” [Living Your Music], which is autobiographic account of his life and music.
Gilberto Mendes lived an intense life, even in his later years. He never lost his curiosity and entrepreneurial spirit, which brought him to explore new cultures and musical horizons. His personality overflowed freedom and a great sense of humor. He embraced both the libertarian ideals of social justice and individual expression. As a former member of the Brazilian Communist Party, he nourished a great respect for the 20th century socialist revolutions, but critically recognized the harmful consequences of totalitarian ideologies. I visited Gilberto Mendes many times in his apartment in Santos and had the privilege to engage long conversations with him and his delightful spouse Eliane. We talked of course about music and composition—he was always interested in knowing what other composers were doing— but also a lot about politics, which was a subject of common interest. I could sense the great admiration he had for the American culture, Jazz music and especially Hollywood cinema, which seems to capture his extraordinary imagination. His mind was steadily grounded in the reality but continuously producing new insights and original thoughts. Sharing Gilbert's company was a real pleasure. He always surprised me with his impressive sense of humor and the ability to overcome the difficulties of life. He kept moving things around him and revealing the inconsistence of absolute truths; he had this incredible capacity of perceiving the absurd and comic that makes the essence of human. As I said above, Santos was for him a save haven. He never wanted to leave the city. His small apartment was located close to the beach in a dense urban environment. It had a balcony from which one could barely see the sea among the surrounding buildings that hinder vision. But one could feel the strong symbolic presence of the sea in Gilberto's live. It invaded his apartment and propelled his fantasy. Gilberto kept sailing in the ocean of creativity.



quarta-feira, 20 de agosto de 2014

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domingo, 15 de setembro de 2013

9º Encontro: grade da programação

9º Encontro Internacional de Música e Mídia- Programação final:


18 de setembro


19 de setembro

20 de setembro

9h00-10h00


Credenciamento
9h00-10h45

Sessão temática 2
Comunicações orais





9h00-10h45

Sessão temática 4
Comunicações orais

Gêneros musicais, mídia e voracidade

10h00- 10h30

Solenidade de Abertura:

Diretora da ECA
Profª Drª Margarida M. K.  Kunsch

Coordenador PPGMUS
Prof. Dr. Mário Videira

Coordenadores do MusiMid
Profª Drª Heloísa de A. D. Valente
Prof. Dr. Ricardo Santhiago



10h45-11h00
(Intervalo)

10h45-11h00
(Intervalo)




10h30-12h00

Palestra de abertura
Rodolfo Coelho de Souza (PPGMUS)


11h00-12h30

Sessão temática 3
Comunicações orais





10h00-12h30

Sessão temática 5
Comunicações orais

Da filosofia do gosto(so).



12h-00 14h00
(Intervalo)
12h-30 14h00
(Intervalo)
12h-30 14h00
(Intervalo)

14h00-15h30
Mesa-redonda 1
Saboreando experiências: música e ritual
Moderadora:  Magda Pucci

Ary Colares
Betty Mindlin
Bia Labate 
Cristina Schmidt
Luci Bonini e Eliana Meneses



14h00- 15h30
Mesa-redonda 3
Experiências de consumo sensível (o sabor e o saber)
Moderadora: Mônica R. F. Nunes

Jose Eugenio de O. Menezes
Malena S. Contrera
Mônica R. F. Nunes e Vera L Pasqualim



14h00- 15h30
Mesa-redonda 4:
Uma questão de gosto...
Moderador: Marcel de O. Souza

Paulo Chagas
Paulo Castagna
Cássio Duarte
Cristina Carletti
Luciano Guimarães
Silvia Berg


15h30-15h45
(Intervalo)

15h30-16h00
(Intervalo)


15h30-16h00
(Intervalo)

15h45- 16h15
Sessão de pôsteres


16h00- 17h30
Oficina A construção do gosto
Coordenação:Juliano de Oliveira

David Wesley Silva
Ana Maria Dietrich
Kerlley P. Branco e Renata Constantini

16h00- 17h30

Mesa-redonda 5
Fundadores do MusiMid
Apetites e ágapes
Moderador: Ricardo Santhiago

Déa Berttran,
Herom Vargas
Theophilo Pinto
Teresinha Prada
Simone Luci Pereira



16h30- 18h00

Sessão temática 1
Comunicações orais


18h00-18h15
(Intervalo)


17h30    - 18h00
(Intervalo)

17h30-18h00
(Intervalo)

18h15-19h45
Mesa-redonda 2:
Comendo com os olhos e os ouvidos
Moderador: Eduardo Paiva

Rosália Prados
Ney Carrasco
Juliano Oliveira
José Guilherme Lima


18h00-19h00
Sessão temática MusiMid
Trabalhos realizados e em andamento
Moderadora: Heloísa de A. D. Valente

Apresentação de projetos concluídos e em andamento



18h00-19h00

Encerramento

“Brindisi!”
19h45-20h30
19h00- 19h30



Lançamentos de livros, discos, filmes...



19h30- 21h

Pré-estreia:
“O sole mio” – música italiana, na “terra da garoa”
Documentário