segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Manoel Ramos, "in memorian"


Caros amigos do fado,

No dia de hoje foi rezada a missa em memória do fadista Manoel Ramos.
A família preparou esta bela homenagem, que repasso àqueles que não puderam estar presentes compartilharem da bela lembrança.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Mensagem de final de ano

Caros amigos e leitores,

Em nome do conjunto de pesquisadores do MusiMid, gostaria de deixar o nosso agradecimento pelo prestígio ao nosso trabalho, pela participação e divulgação dos nossos eventos!
O ano de 2011 começa com um novo projeto e a finalização de outro; um novo livro a ser lançado. E assim, seguimos adiante, nem sempre com as condições materiais e logísticas de que gostaríamos, mas com o motor da curiosidade, que nos faz seguir, superando os obstáculos que, aliás, não são poucos... Dentre eles, a obtenção de materiais.
Assim, contamos com a sua colaboração, não apenas em participando e divulgando o que vimos fazendo mas, também, em cedendo alguns materiais de acervo, para consulta, sugerindo fontes de pesquisa, colecionadores, depoentes... Saberemos usar o material de maneira adequada, devolvendo-o logo em seguida.
Enquanto o ano novo não chega, comemorem muito bem as festas natalinas, com música, ao vivo ou mesmo mediatizada... no cd, lp, pendrive...
abraços amigos, Heloísa de A. Duarte Valente (coordenadora)

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Teresinha Prada "Gilberto Mendes: Vanguarda e utopia nos mares do sul"

Morre o compositor José Antonio R. de Almeida Prado


Morreu, no dia 21 de novembro último, o compositor e pianista José Antônio Rezende de Almeida Prado. Um dos maiores nomes da música brasileira contemporânea, faleceu, aos 67 anos.
Natural de Santos, iniciou seus estudos em 1954 na cidade e em Paris, entre 1969 e 1973. Foi diretor do Conservatório Municipal de Cubatão e professor da Unicamp. Produziu cerca de 300 obras.

Em 2005, deu um depoimento muito interessante e apaixonado para o MusiMid, por ocasião do 1º Encontro de Música e Mídia, "As múltiplas vozes da cidade", que pode ser visto no endereço do MusiMid no youtube (musimidfilmes):
http://www.youtube.com/watch?v=CuMQfgY0O-M

Ouça, também, o programa "Tema e variações", apresentado pelo maestro Júlio Medaglia, e produzido por Marta Fonterrada, em homenagem ao compositor, no endereço abaixo:

http://www.tvcultura.com.br/radiofm/podcasts/26091



Esta é uma das singelas homenagens que o MusiMid presta ao notável e já saudoso compositor.


terça-feira, 9 de novembro de 2010

Una musica dolce suonava...: Memória e nomadismo na canção ítalo-paulistana. - Novo projeto

O MusiMid acaba de receber financiamento pelo Edital Universal (CNPq) e, com os valores implementados, dará início a um novo projeto, intitulado: Una musica dolce suonava...: Memória e nomadismo na canção ítalo-paulistana. Este novo projeto dá continuidade a “A canção das mídias: memória e nomadismo” e pretende abordar um novo grupo de canções, através de subprojetos conduzidos, igualmente, por participantes do MusiMid. Desta vez, não se trata de um gênero particular de canção, especificamente, mas um grupo de canções, de origem italiana e sua presença e suas reper cussões junto à comunidade de imigrantes italianos, ítalo-descendentes, na capital paulista. Reitere-se, aqui, o ponto de partida: o conceito de “canção das mídias” como elemento ativo e de forte presença na cultura. Em sua transformação contínua, ou “nomadismo”, no dizer de Paul Zumthor, a canção expressa, informa, corrobora, apresenta traços da cultura da qual faz referência e à qual se vincula. Tendo como base inicial o repertório discográfico difundido em programas de rádio selecionados, além de depoimentos de pessoas, pretende-se analisar aspectos tais como: 1) as relações entre audiência e memória, a partir do repertório executado nos programas radiofônicos; 2) o impacto da permanência de artistas divulgadores da canção de origem italiana e o surgimento de vertentes ítalo-brasileiras, nas mídias locais; 3) as canções tradicionais, de or igem italiana, como elemento constituinte das histórias de vida e do cotidiano do italiano imigrante no Brasil, sobretudo na cidade de São Paulo; 4) que repertório da música italiana foi incorporado à paisagem sonora paulistana, paulista e em outras regiões, por intermédio do rádio e, posteriormente, da televisão? Resultados: propõem-se, dentre outros possíveis: 1) um livro, contendo, em seus capítulos, textos dos pesquisadores envolvidos com a pesquisa; 2) um video-documentário, contendo depoimentos de memorialistas, artistas, produtores musicais, radialistas, críticos musicais e outras pessoas, recriando a paisagem sonora paulistana, desde a década de 1930; 3) a de criação de banco de dados contendo a discografia mais representativa das canções de origem italiana, no Brasil, de modo a compreender os critérios de gostos estético e imaginário, pela comunidade de ouvintes paulistanos; 4) a promoção de um encontro científico , cujos resultados finais serão publicados em livro ou número especial de revista especializada e, à medida do possível, 5) programa de rádio, com a duração de 50 minutos; 6) um recital artístico, realizado por alunos do curso de música, tendo como repertório canções italianas presentes na paisagem sonora paulistana, a partir de 1930. O projeto será desenvolvido pelos pesquisadores do MusiMid, com colaboração da Profª Drª Valéria B. Magalhães e do cineasta Thomas Miguez, na realização de um videodocumentário: 1 A música italiana na memória coletiva da imigração paulistana Valéria Barbosa de Magalhães 2 Al di lá del mare più profondo, Una musica dolce suonava soltanto per me memória e nomadismo na canção ítalo-brasileira Heloísa de A. Duarte Valente 3 Rádio que parla d´amore: memórias do amor romântico e de um país imaginário. Mônica Rebecca F. Nunes 4 Una musica dolce suonava...: A música (de) italiana(s) e seus percursos na mídia Ricardo Santhiago 5 Arriverdi Roma! Memória musical nos programas de rádio Marta de Oliveira Fonterrada 6 Con te partirò paesi che non ho mai veduto adesso sì li vedrò... Mundialização e territorialização da canção italiana, pela colônia ítalo-paulistana. Márcia Regina Tosta Dias 7 O sole mio!” Memória da canção ítalo-brasileira na terra da garoa Heloísa de A. Duarte Valente e Thomas Miguez Com a participação de Márcia T. Dias, Marta Fonterrada, Mônica R. F. Nunes, Ricardo Santhiago e Valéria B. Magalhães

sexta-feira, 16 de julho de 2010

6 Encontro de Música e Mídia tem a participação de Lúcia Santaella, na palestra de abertura

Lucia Santaela, mais recente vencedora do prêmio Luiz Beltrão de Ciências da Comunicação 2010, na categoria “Maturidade Acadêmica”, pela Sociedade Brasileira de Estudos interdisciplinares da Comunicação – Intercom – proferirá a palestra de abertura do 6º Encontro.

Professora titular no programa de Pós Graduação em Comunicação e Semiótica da PUC-SP, onde coordena o curso de Pós-graduação em Tecnologias da Inteligência e Design Digital, é também diretora do CIMID — Centro de Investigação em Mídias Digitais e Coordenadora do Centro de Estudos Peirceanos. Santaella é uma das principais pesquisadoras do campo da Semiótica no Brasil. Seu trabalho, reconhecido nacional e internacionalmente, estende-se às áreas da Comunicação, Semiótica Cognitiva e Computacional, Estéticas Tecnológicas e Filosofia e Metodologia da Ciência.

O resultado está registrado nos 31 livros publicados, dentro os quais cinco são em co-autoria e dois são estudos críticos, além da organização de outras 11 obras. Os títulos também evidenciam a sua contribuição para a construção e o fortalecimento dos estudos da Semiótica e Comunicação. Entre eles, é presidente honorária da Federação Latino-Americana de Semiótica e da Charles S. Peirce Society, USA; recebeu o prêmio Jabuti em 2002 e em 2009; e o Prêmio Sergio Motta, Liber, em Arte e Tecnologia, em 2005; foi pesquisadora associada no Research Center for Language and Semiotic Studies em Bloomington, Universidade de Indiana. Desde 1996, tem feito estágios de pós-doutorado em Kassel, Berlin e Dagstuhl, Alemanha, sob os auspícios do DAAD/Fapesp.

(notícia extraída do boletim da Intercom)

domingo, 11 de julho de 2010

Saiu na revista Pesquisa FAPESP , junho 2010

A matéria abaixo foi redigida pela jornalista Josélia Aguiar, a partir de uma entrevista à coordenadora do Projeto. Canções que são para sempre Tango, bolero e fado permanecem vivos por causa de sua ligação com as mídias eletrônicas Joselia Aguiar Edição Impressa 172 - Junho 2010 Antes havia o disco de 78 rotações e o rádio; depois o vinil; e hoje o CD e o MP3. Mudam as mídias, mas algumas canções, apesar de antigas, permanecem. Como Carinhoso, de Pixinguinha, I’ve got you under my skin, de Cole Porter, Por una cabeza, de Carlos Gardel e Alfredo Le Pera. Gêneros que passaram décadas esquecidos voltam a fazer sucesso, como o tango. E algumas interpretações, embora ligadas a uma época específica, são sempre lembradas. Acaso existiria algum, ou talvez mais de um, traço particular em comum que lhes garanta a sobrevida? Com essa pergunta nada simples e um vasto território musical a percorrer, Heloísa de Araújo Duarte Valente iniciou há mais de uma década um projeto de pesquisa amplo, multidisciplinar, que resultou em tese de doutorado e pós-doutorado, originou artigos, livros e documentário e hoje envolve outros pesquisadores, com apoio da FAPESP (Bolsa Jovem Pesquisador) e do CNPq. “Há músicas que insistem em não morrer”, diz. Seu projeto A canção das mídias: memória e nomadismo, o nome atual, é desenvolvido no núcleo Musimid, que faz parte do Departamento de Música da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo. E o que seria uma “canção das mídias”? A esse conceito Heloísa Valente recorre para definir um tipo de canção que difere dos demais que o precederam por impor condições distintas de escuta e performance. Parece óbvio, pois é a canção que conhecemos. Porém esse tipo de canção é recente, se se pensar que o rádio e o registro fonográfico têm cerca de um século apenas. “A canção é o gênero musical mais presente nas mídias, desde que estas existem; e a presença da canção é crescente. A canção das mídias pode ser aquilo que se denomina como ‘música popular urbana’, mas também inclui, por exemplo, árias de ópera e até canções de origem tradicional”, explica a pesquisadora. Para o estudo foram escolhidos três gêneros “nômades”, ou seja, que atravessam diferentes culturas – o tango, o fado e o bolero –, e uma abordagem que envolve desde musicologia e antropologia a história e semiótica. Em mais de uma década de documentação e análise do material coletado, o projeto A canção das mídias já obteve algumas respostas. A primeira é que há, sim, uma estrutura musical que favorece a permanência. “Canções que têm um grau maior de complexidade não raro permitem aos arranjadores, músicos e intérpretes efetuar mudanças, das mais sutis às mais drásticas”, explica a pesquisadora. Ou seja, quanto mais elaborada uma canção, mais poderá ser renovada. Essa complexidade, segundo ela, pode ser verificada em elementos como densidade harmônica, perfil melódico, formulação rítmica e outros elementos da forma musical. Porém, não são somente as obras de maior complexidade musical que sobrevivem. Outro fator importante é o próprio sucesso que a canção alcança em determinada época – tempos depois poderá voltar à baila, ou, literalmente, ao baile, de um jeito novo e muitas vezes em outros países. “As ‘modas’, criadas pelo hit parade, fazem com que títulos consagrados em determinado gênero se tornem conhecidos em outro”, diz Heloísa Valente. Um exemplo é o samba Vingança, de Lupicínio Rodrigues, que se tornou Venganza, em forma de tango, bem talhado ao gosto portenho. Caminhemos, de Herivelto Martins, também estourou nas paradas de sucesso em sua versão hispânica, Caminemos, com o Trio Los Panchos. “O sucesso é o motivo para que sejam criadas as novas versões”, reforça a pesquisadora. É comum, hoje, que as canções reapareçam no formato techno, que é o atual. Dos gêneros que estuda, encontrou não apenas o electrotango, mas também o fado electrónico, nos quais as gravações-matrizes são manipuladas eletroacusticamente. A sobrevivência das canções pode ocorrer também devido a um traço que a pesquisadora denomina de “autoridade da performance”. Para explicar melhor: há intérpretes – ou compositores e letristas, em menor frequência – que adquirem notoriedade com determinados hits, e essa combinação de intérprete e canção favorece sua presença na paisagem sonora. Emoções, de Roberto e Erasmo Carlos, é um desses exemplos. É nessa categoria que ela enquadra também intérpretes e canções como Frank Sinatra e I’ve got you under my skin, Yves Montand e Feuilles mortes, Nat King Cole e Stardust. Estabelecem-se, assim, como standards marcados pelas vozes que os interpretaram. As músicas se fixam na memória de uma comunidade, de maior ou menor extensão, também devido a suas relações simbólicas, como explica a musicóloga. Em Portugal, a canção tradicional Grândola, vila morena, composta e cantada por Zeca Afonso, serviu como senha para a instauração da Revolução dos Cravos, em 1975. No Brasil, O bêbado e o equilibrista, de João Bosco e Aldir Blanc, consagrou-se na voz de Elis Regina como símbolo da reabertura política, no começo dos anos de 1980. Pouco depois, Coração de estudante, de Milton Nascimento, associou-se à campanha das Diretas-já, a Tancredo Neves e à volta da democracia brasileira. “Há nesses casos fatos memoráveis, de origem sociocultural, que acabam por determinar essas obras como ‘lugares de memória’, no sentido postulado pelo historiador Pierre Nora. Tornam-se, de um modo ou de outro, história. Na maioria dos casos, a vinculação se faz diretamente pela letra da canção, na mensagem veiculada por ela”, acrescenta. Por fim, rituais de calendário e festas também têm seu próprio repertório, capaz de atravessar gerações: Noite feliz, de Gruber, e Máscara negra, de Zé Ketti, são dois exemplos para Natal e Carnaval, respectivamente. Ainda há muito a estudar, diz Heloísa Valente, que concentrou mais as pesquisas no tango e no fado. Como resultado, publicou As vozes da canção na mídia (Via Lettera/Fapesp, 2003), organizou Música e mídia: novas abordagens sobre a canção (Via Lettera; Fapesp, 2007), Canção d’Além-mar: o fado e a cidade de Santos (Realejo/ CNPq, 2008); Canção d’Além-mar: o fado na cidade de Santos: sua gente, seus lugares (Realejo/ FAPESP, 2009) e produziu o documentário Canção d’Além-mar: o fado na cidade de Santos, pela voz de seus protagonistas (2008). Em fase final de preparação, está Donde estás, corazón? O tango no Brasil, o tango do Brasil. Dos três gêneros, o bolero é aquele em que levantamento e análise devem ainda avançar. O estudo dos três gêneros a partir de sua característica “nômade” – conceito baseado em Paul Zunthor (1915-1995), scholar de origem suíça que produziu obras importantes sobre o tema – é um dos grandes desafios da fase atual da pesquisa. Cada um dos gêneros “viaja” e assume novas feições, às vezes estilos diferentes e simultâneos. De origem ainda pouco esclarecida, apesar do esforço de seus vários estudiosos, o tango, por exemplo, contém elementos da habanera cubana e do flamenco, combinados à tradição dos payadores gaúchos. É um gênero característico de uma região específica da Argentina, a foz do rio da Prata, o eixo compreendido entre Montevidéu e Buenos Aires. Nos primeiros anos do século XX, ganha a Europa. O desembarque se dá por Paris. Para lá seguem os músicos argentinos, para gravar seus discos e fazer turnês de música e dança pelas metrópoles circunvizinhas. O tango virou mo da e passa a ser executado por músicos europeus. As bandas vestem-se com trajes gaúchos e dão títulos em espanhol às composições. Logo foi escrito com letras em idiomas locais, como francês, alemão e grego. Entre as décadas de 1930 e 1940, as big bands consagram um novo tipo de tango. O estilo de cantar e de dançar se modifica, com arranjos modernos ou híbridos. Os filmes de Hollywood que apresentam o tango contribuem para divulgar uma visão estereotipada, sinônimo de música apaixonada, sensual e extravagante. Ao mesmo tempo, sob influência alemã, o tango adotado na Europa passa a ter o ritmo de marcha, sem o chamado tempi rubati, e agrega metais. Seria, assim, um som muito próximo ao de banda militar. Tal influência se propagaria em todos os cabarés berlinenses: é o que se vê no clássico O Anjo Azul, de Josef von Stern berg. Da Europa, alcançará a América do Norte e Oriente. No Brasil, o tango chega na década de 1920, como explica Heloísa Valente: está em versão original ou local, com texto traduzido para o português, cantado tanto por brasileiros quanto por falantes do espanhol. Em alguns casos, compositores e letristas brasileiros fizeram os daqui de acordo com os estilemas (marca distintiva do estilo de um autor) do tango portenho. Existe, porém, uma variante do tango que surge no Brasil e que teve, por sua vez, outros desdobramentos, de acordo com a pesquisadora: sofreu influên cia da habanera, que, por sua vez, se mesclou à polca e ao lundu. Há quem diga que o tango brasileiro e o maxixe designam um mesmo gênero musical – a palavra “tango” seria usada, assim, para ate nuar o tom lascivo do maxixe. Um dos seus principais estudiosos, no entanto, o musicólogo Luiz Heitor Correia de Azevedo, autor do clássico 150 anos de música no Brasil (1800-1950), escreveu que o maxixe não constitui gênero musical, mas coreografia. Em sua origem brasileira, o primeiro tango seria Olhos matadores (1871), de Henrique Alves de Mesquita, como afirma o pesquisador e compositor Bruno Kiefer, autor de Música e dança popular: sua influência na música erudita. Ainda na mesma década, Chiquinha Gonzaga criará vários tangos brasileiros, de grande sucesso. “Esses dados provam que o tango brasileiro é anterior ao argentino – o que implica dizer que não há tango, mas tangos. De todo modo, o tango brasileiro é associado a um gênero instrumental e à figura de Ernesto Nazareth que, embora não tenha sido o responsável direto pela sua fixação, pelo menos foi ele quem consolidou o gênero, deixando inúmeras obras definitivas para piano”, explica Heloísa Valente. O fado é outro gênero que tem forte característica “nômade”. Se hoje é cartão-postal sonoro de Lisboa, tem sua origem no Brasil, como explica José Ramos Tinhorão, autor de obras sobre música popular brasileira que se tornaram clássicas. Em seu Fado: dança do Brasil, cantar de Lisboa, diz que o gênero nasceu aqui, do extenso contingente populacional de imigrantes portugueses, para territorializar-se depois em Portugal, com outra feição, mas teve de voltar ao Brasil para popularizar-se em âmbito mundial. Amália Rodrigues, a primeira dama do fado, gravou pela primeira vez no Rio de Janeiro, em 1945. Santos foi a cidade escolhida pa ra concentrar essa vertente do projeto A canção das mídias porque é a que abriga, proporcionalmente, o maior número de imigrantes portugueses no país e onde o fado tem até hoje grande presença. Tem-se, assim, um “fado castiço” que é recomposto incessantemente, pela inserção de novas letras, novas maneiras de performance – o “estilar” dos fadistas-cantores, as improvisações, as condições de apresentação ao vivo. Em seu estudo, a pesquisadora investigou como o fado deu origem a várias ramificações – fado de revista, fado operário, fado-canção –, criando novos públicos, novos arranjos, novos temas. O fado imigrante tem, porém, uma vida diferente, como explica a musicóloga: em grande parte da comunidade portuguesa que vive em Santos e em outras partes do Brasil, o fado continuou sendo ouvido e executado como elo com o país de origem. “Esta canção nômade criou uma ponte imaginária que liga os portugueses imigrantes ao seu país de origem”, afirma Heloísa Valente. O fado sobrevive, assim, devido a fatores de ordem emotiva, memorialística, intelectual. E tal per manência está vinculada também ao tipo de experiência que o seu público tem, no local onde se encontra. “A recepção do imigrante, pelo menos até o tempo anterior à internet, é diferenciada. Para essas comunidades, o fado, assim como outros gêneros, é vivenciado, relembrado, reconstituído, tendo como referência as versões mais tradicionais”, afirma a pesquisadora. O mais curioso é que os registros fonográficos converteram-se em uma espécie de “partitura a ser lida através da escuta atenta”. A importância das mídias – como rádio em ondas curtas, disco, cinema – na consolidação do gênero também pode ser vista na história do bolero no Brasil. Embora nascido em Cuba, se tornou conhecido como canção romântica mexicana. Assume principalmente a variante ranchera, próxima à tradição folclórica do México. Seu sucesso é grande a partir da década de 1920, e Augustín Lara (1897-1970) será o primeiro artista mexicano a se apresentar no Brasil. Jairo Severiano, autor de obras importantes sobre história da música popular brasileira, como os volumes A canção no tempo, diz que se inaugura, assim, um período de mexicanização na cultura brasileira. “Ainda temos de avançar no estudo sobre o bolero, é a nova etapa da nossa pesquisa”, diz Heloísa Valente. O projeto A canção das mídias - nº 2006/60786-4 Modalidade Bolsa Jovem Pesquisador Co or de na dora Heloísa de Araújo Valente - USP Investimento R$ 178.876,80 (FAPESP)

terça-feira, 29 de junho de 2010

Teresinha Prada recebe prêmio Funarte


Com imensa satisfação, anunciamos que a violonista e pesquisadora Teresinha Prada, membro fundador do MusiMid, acaba de ganhar um importante prêmio. Segue a notícia:

A FUNDAÇÃO NACIONAL DE ARTES publicou a PORTARIA nº 200, DE 22 DE JUNHO DE 2010 que concede o PRÊMIO FUNARTE DE PRODUÇÃO CRÍTICA EM MÚSICA a 10 contemplados no Brasil todo, entre os quais à professora do Departamento de Artes e do Mestrado em Estudos de Cultura Contemporânea - I.L./ UFMT, profa. dra. Teresinha Rodrigues Prada Soares, pelo trabalho "Gilberto Mendes: Vanguarda e Utopia nos Mares do Sul", fruto de sua pesquisa de Doutorado em História da Cultura, na USP.
Além do Prêmio Funarte, a professora terá seu livro publicado pela editora Terceira Margem, de São Paulo.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

5º Encontro de Música e Mídia: E(s)téticas do som Apresentação

5º ENCONTRO DE MÚSICA E MÍDIA:
E(ST)ÉTICAS DO SOM

APRESENTAÇÃO GERAL

O 5º Encontro de Música e Mídia é uma iniciativa do Centro de Estudos em Música e Mídia – MusiMid, que reúne pesquisadores e profissionais do meio acadêmico, de formação multidisciplinar, que têm como centro de interesse comum o estudo das múltiplas relações entre música e suas formas de comunicação e recepção.
Visando ampliar os debates e estendê-los à comunidade interessada no tema, o MusiMid vem realizando os Encontros de Música e Mídia: As múltiplas vozes da cidade (2005); Verbalidades, musicalidades: temas, tramas e trânsitos (2006), As imagens da música (2007), O Brasil dos Gilbertos: Gilberto Freyre, João Gilberto, Gilberto Gil e Gilberto Mendes (2008).
Em sua quinta edição, o Encontro tem como tema “E(st)éticas do som”, dividido em quatro subtemas: 1) Som, culturas e comunicação; 2) Som, tecnologias e eletroacústica; 3) Som, discursos e mídia; 4) Música e relações de poder. O evento, científico e artístico, reúne pesquisadores, músicos (compositores, instrumentistas, cantores) e demais estudiosos das áreas que tangenciam a linguagem musical.
O objetivo do evento centra-se, prioritariamente, na promoção de debates nas áreas afins à “semiótica da música midiática”, campo de estudo ainda recente, campo teórico que se encontra, ainda, em construção. Além do intercâmbio científico, almeja-se produzir e organizar documentação a respeito dos conteúdos debatidos no evento (audiovisuais, depoimentos, debates, apresentações musicais). Com os textos publicados em anais e outras atividades registradas em áudio e vídeo (a exemplo das edições anteriores), espera-se estar-se contribuindo para os estudos sobre os temas tratados.


SOBRE O CENTRO DE ESTUDOS EM MÚSICA E MÍDIA - MUSIMID

O MusiMid teve sua origem em 2001, durante o XIII Encontro Nacional da Anppom (Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Música), em Belo Horizonte, quando se reuniu, pela primeira vez, o GT Música e Mídia. A partir de 2003, o grupo se constituiu formalmente e, além de atividades internas, promoveu diversas palestras e encontros. Acreditando que o fruto das reflexões e debates devem ser compartilhados com a comunidade científica e demais interessados no assunto publicou, em junho de 2007, com apoio financeiro da FAPESP, a primeira obra coletiva, assinada por participantes do Grupo e convidados do Conselho Consultivo: “Música e Mídia: novas abordagens sobre a canção” (Via Lettera/ Fapesp), organizado por Heloísa de A. Duarte Valente.
Contemplado com financiamentos do CNPq (Edital Universal) e da FAPESP (Jovem Pesquisador), uma significativa parte do Grupo vem se dedicando ao projeto A canção das mídias: memória e nomadismo, com a colaboração de especialistas de renome internacional. No ano de 2008, alguns resultados do projeto levados à comunidade científica foram o lançamento do livro Canção d’Além-Mar: o fado e a cidade de Santos (Editora Realejo/ CNPq) e Canção d’Além-Mar: o fado na cidade de Santos, pela voz de seus protagonistas (CNPq; FAPESP).
Atualmente vinculado ao Departamento de Música da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), o MusiMid mantém diálogo permanente com outros centros de pesquisa voltados às áreas de Comunicação (CISC, Intercom, Alaic), Semiótica (ABS, IASS, CEO) e Música (Anppom, Abet, ICMS, IASPM), no Brasil e no exterior.
Os temas estudados no âmbito do Centro são: performance: o corpo do músico e suas diversas mediações, ao longo da história. O papel da tecnologia nos processos da comunicação poética; a concepção de instrumento musical e sua interpolação com as diversas mídias sonoras existentes ou obsoletas (microfone, amplificação, alta-fidelidade); as variações dos padrões de escuta e dos padrões de gosto, propiciados pela introdução das diferentes mídias sonoras (os diferentes estágios da evolução tecnológica); paisagem sonora: a transformação sofrida pelo meio ambiente acústico, em determinado contexto sócio-histórico-cultural e suas conseqüências no que toca à formação de novos padrões estéticos; as múltiplas interfaces da linguagem musical com outras linguagens artísticas e outras mídias; a música na mídia como elemento de memória cultural e musical; os cruzamentos possíveis de gêneros (fusão, cross over, hibridismo, mestiçagem entre outros); as relações entre criação artística, público, políticas culturais e criação de padrões estéticos; a canção das mídias ante o mundo contemporâneo (globalizado): questões de identidade e vínculo afetivo; a constituição de valores estáveis na era do efêmero; a música e seu papel crucial como elemento privilegiado da mega-indústria do entretenimento.


COMITÊ CIENTÍFICO

Coordenação geral
Profª. Dra. Heloísa de Araújo Duarte Valente
Prof. Dr. Paulo Chagas

Organização
Prof. Dr. Eduardo Vicente
Profª. Dra. Heloísa de Araújo Duarte Valente
Prof. Ms. Ricardo Santhiago

Comitê de leitura
Prof. Dr. Eduardo Vicente
Profª. Dra. Heloísa de Araújo Duarte Valente
Prof. Ms. Ricardo Santhiago
Profª. Dra. Simone Luci Pereira
Profa. Dra Teresinha Prada



E(ST)ÉTICAS DO SOM: O TEMA

O ano de 2009 coincide com algumas efemérides que, acreditamos, podem servir de motivação para as discussões a polarizadas no 5º Encontro: o cinqüentenário da morte de Heitor Villa-Lobos e o centenário de nascimento de Carmen Miranda, pilares na formação da música brasileira (e mundial), do século XX. Não obstante as grandes diferenças que os afastam, traços em comum entre ambos conduzem a convergências interessantes. Considerar-se que, por diferentes vieses, ambos construíram a representação do Brasil no país e do país, no exterior – fato que perdura até os dias atuais- já se anuncia como um instigante ponto de partida. Assim, ambas as figuras – tanto do compositor, músico e regente, quanto da cantora- servem de baliza para questões amplas e variadas como:
As dicotomias estéticas estabelecidas colocam em extremos polares os repertórios, divididos em: nacional/popular; popular/erudito; popular/folclórico; massivo/ culto; nacional/internacional, sério/ ligeiro. O mundo globalizado não comporta uma limitação a tais categorias, inadequadas para criação e análise de signos culturais e artísticos. Tampouco as linguagens artísticas podem ser pensadas através dessas referências.
Questionamentos de cunho político-ideológico, tais como: até que ponto o estado deve interferir na produção cultura e vice-versa? Quais os limites da tutela governamental na produção artística? É possível, no século XXI falar-se em mecenato, apadrinhamento, quando a hegemonia dos estados nacionais deixou de ser uma realidade? Nesta mesma época em que se discutem profundamente os meios de incentivo à cultura e a proteção do patrimônio imaterial, esbarra-se em severas dificuldades no que tange à definição de leis de incentivo à cultura e sua aplicabilidade.
O poder e a função da mídia na difusão de repertório e ensino da música e suas interfaces. O papel de programas de ensino e cultura: do Canto Orfeônico ao Projeto Guri . O embate entre cultura do entretenimento, assistencialismo social e educação.
Repertório, tecnologia e difusão: a música que se fixou no repertório é produto não apenas de políticas e entendimentos estéticos, dentre outros mas também resultado da evolução tecnológica e de opções de cunho estético. Ocorre que há alguns anos as multinacionais do som e da música estão em severa crise financeira em virtude do esgotamento do seu sistema.
A derrocada do estado do bem-estar social e a telemática trouxe novos hábitos cotidianos e, com isso, novas formas de relações sociais: as mudanças de papéis, nas relações de trabalho, na organização das formas de lazer e da vida cotidiana, nas relações interpessoais.
Os modos de vida do terceiro milênio determinam distintas formas de utilização do tempo livre (lazer). Os espetáculos musicais retiveram modalidades tradicionais (ópera, concerto sinfônico), mas também introduziram novidades (notem-se os espetáculos interativos pela internet e televisão, por exemplo).
POSTAS ESTAS PROVOCAÇÕES PRELIMINARES, O EVENTO SERÁ CONSTITUÍDO DE MESAS REDONDAS, SESSÕES DE COMUNICAÇÕES, APRESENTAÇÕES MUSICAIS E OFICINAS, POLARIZADAS PELOS REFERENCIAIS QUE SEGUEM ABAIXO QUE, ACREDITAMOS, CONSTITUEM O SUBSTRATO DAS QUESTÕES QUE ACABAMOS DE MENCIONAR.


EIXOS TEMÁTICOS

I - SOM, CULTURAS E COMUNICAÇÃO

Como o som se faz música e esta faz interagir performance e composição. Da percepção diferenciada chega-se a uma nova recepção. As linguagens e formas de expressão consideradas tradicionais (de longa duração, estáveis, entenda-se): O teatro, o ‘show’ de variedades, cabaré e ‘music hall’, cinema, telenovela, mega-shows, competições. O mainstream (pop,axé), o exótico (world music), As paisagens sonoro-culturais, compostas pela música.

II - TECNOLOGIA, PERCEPÇÃO, ESTÉTICAS DO SOM
A compreensão dos novos modos de criação, distribuição e escuta musical da sociedade digital. As múltiplas interações do som electroacústico na paisagem sonora contemporânea.. Música eletrônica, raves, musica eletroacústica, desenho sonoro, vídeo games, a conectividade musical da internet o som dos telefones celulares, ringtones, os campos híbridos de criatividade musical e sonora queantecipam novas tendências da sociedade.

III - SOM, DISCURSOS E MÍDIA
O “ruído sagrado” (Schafer).Como, através do som e da música, se detém, perde, repassa, multiplica o poder político e de policia: crítica, mídia, gravadoras, difusão (pensar na globalização), gêneros representativos O som ininterrupto e o seqüestro do silêncio e a formação da ansiedade participativa, através do ruído .

IV - MÚSICA E RELAÇÕES DE PODER
A importância de se revisar a história, a teoria e análise musical a fim de se incorporar a subjetividade das relações entre música, poder e violência. A política econômica da música reflete sobre a subjetividade do poder e a “imperfeição material e social do mundo que habitamos”, Susan McClary). A criatividade musical como um paradigma dos processos sociais.

4º Encontro de Música e Mídia: O Brasil dos Gilbertos (2009) Programa

4º Encontro de Música e Mídia:
“O Brasil dos Gilbertos: Gilberto Freyre, João Gilberto, Gilberto Gil e Gilberto Mendes”


Quarta-feira, 17 de setembro

9h00-19h00: Credenciamento

10h- 12h

Walter Garcia:
João Gilberto, o projeto utópico e a melancolia da bossa nova
(Ou: um baiano de Juazeiro na zona sul carioca, entre “Chega de saudade” e “Por que tudo é tão triste?”)

José Geraldo Vinci de Moraes
Gilberto Freyre e a música em “Sobrados e Mocambos”

Comentadores José Roberto Zan e Herom Vargas


14h-15h40
Sessão temática 1
Gilberto Mendes
Mediador: Marcos Júlio Sergl

Uma aproximação biográfica do universo poético-musical de Gilberto Mendes
Carla Delgado de Souza
Música eletroacústica no Brasil e o pioneirismo de Gilberto Mendes
Antenor Ferreira Corrêa
O meu amigo Koellreutter de Gilberto Mendes
Maria Yuka de Almeida Prado (Departamento de Música de Ribeirão Preto da ECA-USP)
Um percurso pela paisagem sonora de Gilberto Mendes
Marcos Júlio Sergl
Ouvinte privilegiada: Silvia Berg

15h40-16h Intervalo

16 h 17h20
Sessão temática 2
Gilberto Mendes projetos IC

Moderadora: Marília Laboissière

Cinemeiro ou Cineasta dos Sons? o cinema e a obra de Gilberto Mendes
Plínio B. Barros
Da tragédia ao Tango: análise da construção e das relações intersemióticas n'O Último tango em Vila Parisi, de Gilberto Mendes
Filipe da S. Alberti
Ouvinte privilegiado: Amílcar Zani

17h30- 18h:Intervalo

18h00-19h30
Gilberto Mendes
Impressões sobre os trabalhos apresentados.
Ser Gilberto Mendes- proposições e provocações, por seus (ex-) alunos
Comentador: Edelton Gloeden e Amílcar Zani

19h30-21h:
Edelton Gloeden e Luciano Cesar Morais:
Intertextualidades na obra de Gilberto Mendes – As possibilidades de releituras em um compositor contemporâneo.
Audição e comentários de três obras de Gilberto Mendes:
Peças para piano ns. 4 e 10
- Prelúdio e Casi Passacaglia

Simei Paes e Cecília Adamovich
Lagoa
Peixes de prata
Beatriz Alessio
A técnica composicional de Gilberto Mendes
Estudo sobre "O Pente de Istambul"
Estudo de Síntese
Estudo Magno


Quinta-feira, 18 de setembro

10h00 – 12h00
Paulo Chagas
Gilberto e Willy: ética e estética

Anselmo Guerra
Mutationem III de Claudio Santoro:uma tradução do analógico para o digital a partir da escrita

Comentadores João Marcos Coelho, Carlos Zeron e Fernando Iazzetta

12h-13h30 Intervalo Antonio Eduardo
Bossa 50 Nova


13h30-14-.50 Sessão temática 3: Gilberto Freyre:
Mediador: Mônica Rebecca F. Nunes
A divulgação de músicas regionais pelo programa de TV Frutos da Terra e a caracterização de uma identidade.
Martha Antonia dos Santos Reis
Deixa falar: Sambas e sambistas nos primórdios da música popular brasileira.
Carlos Eduardo Amaral de Paiva
Samba e nação: Música popular e debate intelectual na década de 1940
Eduardo Vicente

OUVINTE PRIVILEGIADO: Diósnio Machado Neto

15h00-15h20 intervalo

15.20- 16.40 Sessão temática 4
Gilberto Gil
Mediador: Ricardo Santhiago

“A gente ta aí, a gente não tem vergonha de nada, a gente é isso...” O doce bárbaro Gilberto Gil e os episódios de 1976.
Vicente Saul Moreira dos Santos
Raul Seixas, entre a legitimidade e ilegitimidade das artes musicais no Brasil.
Lucas Marcelo Tomaz de Souza
Gilberto Gil e a diáspora africana
Nancy Alves

Ouvinte privilegiado: José Roberto Zan

16h40- 17h Intervalo
17h00-18h30:

José Miguel Wisnik
Considerações sobre 4 Gilbertos: uma proposta aparentemente despropositada
Jerusa Pires Ferreira (filme):
A viagem de Ulisses
Rodolfo Coelho de Souza
Comentadoras: Heloísa Valente e Susana Ventura

18h30 : lançamento de livros, discos, filmes



Sexta-feira, 19 de setembro

10h00 às 12h00
Sessão temática 3
Gilberto Freyre
Mediadora: Susana Ventura
Vitória: da ilha à nuvem
Mónica Vermes
Discursos Identitários em Torno da Música Popular Brasileira
Michel Nicolau Netto
“Eu canto pra falar do Amazonas”: Um estudo da produção de MPA em Manaus.
Mauro Augusto Dourado Menezes
Prof. Dr. Sérgio Ivan Gil Braga
As identidades Gilberto e a identidade nacional
Paulo de Tarso Salles
Ouvinte privilegiado: Eduardo Vicente

12h00 -13h30 Intervalo :
Cibele Palopoli e Giovanni Matarazzo(flauta e violão)

João Gilberto:
Ho Ba La La
Bim Bom

Gilberto Gil:
A Paz
Drão
Se eu quiser

Gilberto Mendes:
Sinuosamente: Veredas


13h30- 14h50 Sessão temática 6
João Gilberto
Mediadora: Simone Pereira

O Campo da MPB como "braço artístico" da Modernização Conservadora Brasileira
– ou alguns porquês da "Contradição sem Conflitos de João Gilberto" e seus pares
Daniela Ribas Ghezzi
João Gilberto e a retomada do samba em via dupla
Liliana Harb Bollos
Bossa Nova: de canção a trilha
Carmen Lucia José
Elisabete Alfeld Rodrigues
De “João Gilberto de saias” a “diva predestinada”: Versões sobre Rosa Passos
Ricardo Santhiago (Universidade de São Paulo)
Ouvinte privilegiado: Paulo de Tarso

15h- 16h Sessão temática 7

MusiMid :Projetos em desenvolvimento
Heloísa Valente

16h-16h15 Intervalo

16h15- 17h15 Canção d’Além-Mar: o fado na cidade de Santos, pela voz de Manoel Ramos e Lídia Miguez
(‘trailer’ do programa de rádio)
Direção: Marta Fonterrada
Canção d’Além-Mar: o fado na cidade de Santos, pela voz de seus protagonistas.
(documentário)
direção: Eduardo Teixeira

1h15-18h
apresentação de fados
Grupo Sete Cidades e convidados
Fados
Alexandre Matis, Gabriel Henrique Laudino, Marcos Santos, Tatiana Monteiro

Acordem as guitarras (Frederico de Brito)
Alfama (José Carlos Ary dos Santos/ Alain Oulman)
Meu amor é marinheiro (Manuel Alegre e Alain Oulman)
Barco Fantasma (Ivan Lins e Vítor Martins)
Lar d’Além-Mar (Gil Nuno Vaz e José Vaz Pereira da Silva)
Sonho de emigrante (Manoel Ramos e Lídia Miguez)
Tudo isto é fado (Aníbal Nazaré/ Fernando Carvalho)



18h Encerramento
Heloísa Valente, Susana Ventura, Ricardo Santhiago